Falar
sobre mãe ou mães, convenhamos, é impossível não cair num clichê. Mãe: “amor
mais bonito que existe”, “um anjo em nossas vidas”, “são apenas três letras,
mas seu amor é imensurável”, “mãe e amar, não é preciso nem rimar”... Essas e outras
frases encontramos em letreiros, cartões, em comerciais nas tvs ou outdoors,
acrescidas, é claro, de um “leve um
perfume leve para elas”, “ dê-lhes rosas”, “ compre-lhes chocolates” etc., etc.
etc., ... e não é que de fato essas frases funcionam. Sejamos francos, quem
ousaria dizer que elas amor maior nesse mundo não merecem?
Mãe
é uma das poucas unanimidades do mundo, se não a única, aplaudida, reverenciada
e não burra. Inquestionável até mesmo pela ciência. Se você quer ver uma ser
melhorado nos mais variados aspectos: sensitivo, gustativo, psicológico e
estético, esse é a mulher quando se torna mãe. Mãe é um milagre. Talvez por
isso todas as mulheres tanto almejem esse sonho, além de perpetuar a espécie,
já em risco, essa é uma das formas delas alcançarem à sublimação.
Lembrando
agora de Bandeira, o poeta, parafraseio: “Mãe só deve ser uma santa” e santa,
no dizer dele e agora no meu, não é aquela que nunca cometera pecado. Antes, a que redireciona valores, concede perdão aos que, vistos por seres
normais como eu e você, desprovidos do dom materno, seriam imperdoáveis. A Mãe
ver em nós, coisas menores alcunhados de filhos, amor e graça. Elas nos redescobrem,
moldam-nos. São de fato o exemplo mais vivo e próximo do amor de Deus.
Deus,
por exemplo, por ser ele Quem ou o Que É. O Único, o Ser, o Pai, poderia simplesmente
ter posto na terra seu filho em um roçar de pálpebras, ou num deslizar de mãos
sobre o azul celeste sem fim e ponto final. Quiçá no estalar de dedos da mão
divina: “SNAP”. Pronto, estaria seu filho entre a humanidade sem que nós, meros
mortais, pudéssemos nos dar conta da origem de seu surgimento ou ousássemos
questionar o aparecimento do filho Dele, pois tamanha é a sapiência e infinito é
o poder divino. No entanto, Deus permitiu seu filho vir até nós em forma humana,
enaltecendo a humanidade e redefinindo a figura da mãe: mãe divina, exemplar,
mãe do filho de Deus. Olha que coisa!
Agora, Aproximando-se do dia das mães,
impossível eu não pensar na mulher que meu deu luz, lume e prumo, me recriou, e,
mesmo sabendo que ela não me vela mais, lembro-a nesse texto numa forma de
revê-la. Concluo que a nós filhos, muito mais que cobrir esse ser iluminado “mãe”
com mimos, flores, chocolates e beijos, o mínimo que podemos fazer nesse
caminho, isso para aqueles que buscam ser melhores enquanto ser humano, é
respeitá-la e amá-la na imensurável dimensão que lhe cabe.
Lembra
... “amor mais bonito que existe”, “um anjo em nossas vidas”, “mãe e amar, não
é preciso nem rimar” etc., etc., etc. .... Pode ser mesmo clichê de
comerciante, mas quem ousaria dizer que elas amor maior nesse mundo não
merecem?
Valdemir Guimarães