quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Quando já passa da hora de enfim dormimos
E as luzes já acenam o seu fim,
Os mosquitos em volta do lume há horas
Pereceram, encandeados de tanta luz
Juro que neste instante rezo aos pés do sagrado Jesus
Fincado ali na cômoda cor de mogno.
Ali na minha alcova as minhas preces voam
E nelas está você
Ao bom filho de Deus clamo que em breve ele lhe leve
Dos pensamentos meus, das minhas lembranças
Das minhas alegrias, do meu dia a dia,
do meu deleite e intrigas, das minhas súplicas
e de  dias outros de preces em que ao mesmo
bom filho de Deus de tanto querer-te
o teu amor eu clamei e me embriaguei
nessa procela que eu mesmo inventei.

Valdemir Guimarães 

domingo, 22 de outubro de 2017

O chocolate que vem de tua boca
Cola nos meus incisivos e você por distração
Faz questão de limpá-los com a língua.
Como não rir depois do vinho tomado
Dos olhos quase fechando, fechados
A desenvoltura de tuas mãos e seu pouso
No meu já febril coração.
Sei que é tarde e já que precisamos dormir
Esquece teu ventre desprotegido
Não olhe teus seios, não faz sentido
agora que o chocolate no meu malho
se umedece da seiva que escorre
dos teus sábios lábios.

Valdemir Guimarães

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Vai ser em um dia desses
Passeio ao domingo de sol
Ou noite já alta sem sereno
Possivelmente no verão
Que é a estação sem fim
Que arde nesse sertão
Em mim no Piauí ou nos cocais do maranhão.
Sei que será assim
Talvez eu longe de você e  você de mim
pode ser também na tua ou nossa cama
Ou no colo de uma outra mulher
Pois o amor se desata e se distrai ao som de um bolero por ai...
mas será ...virá em fim
Voraz ou veloz, a senhora torta e me cobrirá de sombra
apagará meus pensamentos, minha saudade, meu amor, minha dor
E se assim for como penso, suspenso estarei para sempre dos sonhos que um dia vivi.

Valdemir Guimarães

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Bem que você poderia ter vindo da cidade de Siracusa,
Porque humana, não verteu como a santa siciliana
lágrimas tantas.
Antes as ocultara inteiramente no íntimo teu
quando expora tua mentira mais recente:
- Não o amo mais e já nem sei quanto tempo faz
que desejei aquela gente.
Preferia ver teu lacrimal fluido
Descer pelo teu rosto bendito
E em palavras agudas, espadas cruas
Confessar teu desejo sem preço
Por um amor nascido antes do nascer do dia
Por isso vivo e imune a minha poesia.
Magoado estou e em pedra fiquei
E como a siciliana santa
Da cidade de Siracusa
Verte de meu rosto tantas lágrimas
Que encharcou a minha blusa.

Valdemir Guimarães

domingo, 17 de setembro de 2017

Não me incomoda nenhum pouco
tua escrita ruim, tuas incoerências
No usa da vírgula ou das reticências
                   em textos sem fim.
Nem tampouco olho o teu pigarro
Tua mania de sugar o cigarro e aspergir o ar
com mil substancias tóxicas ao pulmão
do público que invade o saguão.
Nem mesmo quando deixou cair um palavrão
pelas mãos dos teus lábios
no púlpito sagrado em pleno sábado
de oração
desviei por um átimo de ti
o meu olhar pedinte e beato.
Enfim... Sou seu fã, seu seguidor
seu divã, seu cobertor
sou seu
só não é meu o seu amor.  

Valdemir Guimarães

sábado, 16 de setembro de 2017

Como se fosse o último poema
O ultimo beijo, porre ou trago
É o que trago agora ao peito.
É um sem jeito para mim
Quase um defeito que até esqueço
Que um dia eu já vivi assim.
Se não fosse a tua boca
Olhos, seios e ventre
E esse ai de entre as pernas
O que faz da humanidade ser eterna
Juro que até viveria em paz.
Conquanto não teria um tanto
Da vista que esta vida ainda me apraz.


Valdemir Guimarães

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sabes bem e não por acaso
Exibe-o em fotos diárias
Com olhos realçados à lápis
E o batom vinho escuro nos lábios
Em pose de menina se assanha
Ou senhora das horas e manhas
Em frente ao espelho do box
Do bolso com caras e bicos na boca
Não me arrisco a anunciar o contrário
Imediatamente abaixo do sulco nasolabial
Circular, saliente e na cor de tua pele
o latim o torna ainda mais simpático
teu habitual sinal: nevus Melanocítico



Valdemir Guimarães

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Toco teu nome com imenso cuidado
Não por acaso hoje o sussurro 
Debaixo da noite sob os telhados 
Na ponta que some entre meus lábios.

Dizê-lo em vão eu evito fazer
Prendo-o no peito, sufoco-o comigo
Como a fumaça que corre em meu sangue
Sai nas narinas me rouba os sentidos


Como está agora ao teu lado
Um outro que diz ser teu namorado
Guardo pra mim, oculto tua alcunha
Escrita um dia ao fino leitor

- Te espero, amor. Te espero, amor.


Valdemir Guimarães

Detrás da noite sem lua
Por onde ninguém imagina
Onde o sol esqueceu de se pô
 E nem Deus pressupôs escrever
Lá minha festa inicia.
Minhas irmãs também brindam comigo
Meus amores dançam sem roupa
E os amigos bebem cansados.
Minha casa inabitada de lágrimas
De braços abertos te acolhe.
Deita nesse berço inaudito
Entre, tranque a porta:

- Os longos dias se fecharam pra sempre.

Valdemir Guimaraes 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Será que ela do lugar onde está
Sente o que eu sinto?
Saberá talvez em sonho
O quanto andei ou adentrei no labirinto?
Quando criança eu dormia ao seu lado
Sentia-me dos filhos seus o seu predileto
E embora me acordasse na madrugada
Me chamando por um nome que só ela me deu
Desconfiada de barulhos da noite
E soubesse dos meus mimos e preguiça
Via-me consultar o banheiro e examinar
Não mais de mil grilos e suas sinfonias.
Só sei que do lado onde estou
Vai, não vou, vejo-a baixar aqui
Na manhã, no café da tarde, depois da janta
Ou bem aí onde esparramados nas cadeiras
Buscávamos forjando lembranças antigas
A paz de um amor que só eu sei onde se abriga.

Valdemir Guimarães 
Qual das tuas mãos eu irei ler agora
Se essas já não as tem mais
e nem mesmo os pés calejados
das andanças e distancias afora
traz você consigo.  
você já não me defende nem me acusa
O que eu vejo em holofotes  pela pista
é teu rosto exposto na revista
e teu busto murcho sob a diáfana blusa.  
Falta você em tudo que cria
Falta vida em tua via
Cante pelo menos esse poema comigo
Se si bemol menor ou lá estridente
Cante, amiga, apenas cante e creia
a vida corre impune aos grandes planos
é permissiva a horrores de amores
Odeia o certo gozo e se deleita, em fim,
                   se sente dores.


Valdemir Guimarães  

sábado, 22 de julho de 2017

O que me importa nesse mundo
Descampado de sabores amor e fé
Onde a natura já inaugura outro
ciclo certo de pranto e dor
são escuras as ruas que se avizinham
são de noites as manhãs sem seda e vãs
é um tempo obliquo que estende
já não vejo, é infinito  o tapete ao  abismo.

Valdemir Guimarães


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Teu corpo solta-se
Voa feito as pipas de tua rua
Em ondas no ar, as pipas nas alturas
Teu corpo em ondas, contorno da cintura.
Teu pai te olha, tua mãe se lembra
Antes era a sua menina, agora, ora, ora
A adolescência volta e molha de vermelho
a memória da mãe saudosa
os seus cuidados, o trato no cabelo ... outros zelos.
Se não me engano agora outro olho te procura
Pela rua vazia, na volta da escola
Longe de casa ou no bairro onde mora
Adolesce pela vida e há tanto a conhecer
Geografia, números,literatura, poesia .... fé
É o caminho que se segue depois será só você, mulher.


Valdemir Guimarães 
Teu riso é teu rosto
Tudo que enfim clareou o quarto
Em que eu estava há dias sem sair sequer na rua
Não me olhava no espelho
Não via crescer meus pelos e nem banho tomava.
Ela está aqui e não me vê como antes
Não percebe o percebível
Que estou a um metro do precipício
Ou volto a mim ou entro no hospício.
Mas teu riso, enfim, iluminou minha tarde sombria
Invadiu minha sentinela, subiu na minha cama
Olhou no meu rosto e viu em mim outro ser que eu era.

Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Quando olho no teu olho
Vejo de pronto, de soslaio, no teu horto, outro
Me dispo, me dano, me engano e  saio
Da sala, do quarto e vou pra rua sem ter ido.
De olho pra lua que é minguante
Respiro e entendo que antes e sempre teu amor
Me fora divido.
Não nos temos por inteiro, senão, fracionados
Pela metade, como na queda da moeda,
Só se pede um dos dois lados.  
Um lado é meu e o outro de teu amado.
Teus ais e os meus são para ninguém ouvir
É um amor silente, calado.
Feito à noite quando todos já dormem
Nem mesmo sabem as sombras dos nossos corpos
que, quando suados, se veem sem por si darem-se por amados.  


Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Céu, não de estanho, mas estranho
Tempo difícil de si distinguir
O cidadão do mal ladrão
Ruas vazias, opacas pessoas, inda sim, sigo
De mãos vazias e sozinho
Não há vento no meu rosto caminhando para agosto
Ou canção que embale meu coração.
Meus heróis estão presos ou são suspeitos de corrupção
Até deus parece que deu adeus a sua cidade
agora desgenerosa.
Tempos difíceis esses sem referencial
Sem da musa um sorriso, um olhar, qualquer sinal.
Amigos meus, ainda assim, como se eu fizesse uma prece,
Humildemente, lhes peço: andemos
Antes, é claro, demo-nos as mãos.
Não haverá poesia, mesmo que medíocre,
Pois os tempos são difíceis,
ou esperança de uma possível alegria, um aventurado gozo,
Se uns contra outros debatermo-nos, lutarmos.

O tempo é de noite sem fim, estejamos juntos
Próximos do fogo, andemos
a vida é de luta
...daqui eu já ouço o clarim.

Valdemir Guimarães




terça-feira, 4 de julho de 2017

Descortina


Não há cor que não se dobre ao riso teu...
No simples gesto como o de tomar um café
Da carteira de cigarros furtar mais unzinho
E de repente, um céu de nuvens dispersas
em desenhos esquisitos  se formou
como se fosse eu e não você quem fumou...
Há muito mais que beleza por traz do trago,
Da xícara do chá por tomar, da foto, do post do perfil...
sei lá, são mil coisas...melhor não descortinar!


                        Valdemir Guimarães 

enilaka

Afirma-me a medicina
Ser isso que agora envolve e solve
a boca minha uma simples Semimucosa.
Nela repousas o cigarro em intervalos regulares.
Depois, o copo a toca, o vinho dar-lhe cor
ou os dedos acham casa, quando aflita
ou curiosa.
Se excitada, deixa escorrer filetes de saliva
umedece-a ... brilha.
Abre tua concha e me deixa entre morto e pronto
Acordes em lá, cio de madrugada
Sugo teus lábios e mais nada.

Valdemir Guimaraes



Teus seios murcharam, trocaram ofensas
Não se olham mais na cara.
Tuas mamas mesmo caíram
Cansaram-se de orgulho e sutiãs.
O teu umbigo neste instante guarda intrigas
Instiga uma doçura irritante.
Não ouso se quer ver teu ventre
Dele não falo mais, não o adentro
Não há falo que seja capaz
Teu corpo, meu amor, morreu pra mim
Velei-o e um dia comum, muito sol
Flores no campo, amores, ardores e noticias ruins.

Valdemir Guimarães

terça-feira, 27 de junho de 2017

Senti hoje a dor dos gatos que habitam o meu quarto
Estão eles agora em cinco aos quatro cantos
No pequeno quadrado d’alcova e sós.
A mãe gato partiu.
Na verdade, doei-a.
E eles a sós, por hora, vão andando sem rumo
Até as suas memórias felinas esquecerem-na.
Só que por enquanto quem não a esqueceu, fui eu, doeu-me.
Igual aos meus gatos
Indeciso percorro uma corda bamba
Se os vejo mirando qualquer vazio
Pois penso em mim quando minha mãe também partiu.


Valdemir Guimarães

sábado, 24 de junho de 2017

Quando dizem quão a beleza é tua
Nisso não credite muito não
Pois essa que eu vejo nos traços de teu rosto,
Dorso e  mãos
É tua e de todas as ruas em que aconteces
Em versos que criam-se e vão.

Porque o brilho do rosto teu
Ou alinho de tuas madeixas
pra não dizer o contorno labial, olhos, e.t.c. e tal
deixa mais que claro o rastro raro de beleza
que através de você Deus nos deu.  

Se Ele, ser supremo, faz-se nos filhos seus em atos de bonança
Chego a dizer que Vênus, da beleza a grande deusa, refez-se humana
Quando em você abraçou tudo que explode em admiração e atração.

Mais não digo e nem direi, porque pobres versos excedem-se
Deixemos, enfim, que a vida se abra pra ti
Em prosa, rosa ou poemas
E você, inda broto, se faça mulher intensa, Linda e plena.


Valdemir Guimaraes 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Aquiesce teu corpo cansado nos braços
                    de um deus plebeu

repousa teu sono nos ombros de Morfeu. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017


Cercada em nervos
é um labirinto curvilíneo e robusta
Catapulta da vida que imputa prazer e dor
Teria como nome Cynara ou alcachofra?
Não, como louca traz consigo uma pulga oculta
carrega a marca do diabo como chave do cadeado.

Que coisa...escrevendo esses versos
lembro que riem meus amigos quando digo
"não vou pro céu"                                       
Mas como, se não me caibo em culpa se não solvo da vulva seu diáfano mel.

Valdemir Guimarães 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quando finda o dia
E o corpo espera a quietude rotineira
Já que já passam das 22 horas
Foleio um livro e pronto vi que tudo já deu.
Aí não há amores, carinhos, saudades
que impeça a urgente chegado do Morfeu.

Valdemir  Guimaraes 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mãe, o amor mais próximo de Deus


Falar sobre mãe ou mães, convenhamos, é impossível não cair num clichê. Mãe: “amor mais bonito que existe”, “um anjo em nossas vidas”, “são apenas três letras, mas seu amor é imensurável”, “mãe e amar, não é preciso nem rimar”... Essas e outras frases encontramos em letreiros, cartões, em comerciais nas tvs ou outdoors, acrescidas, é claro, de  um “leve um perfume leve para elas”, “ dê-lhes rosas”, “ compre-lhes chocolates” etc., etc. etc., ... e não é que de fato essas frases funcionam. Sejamos francos, quem ousaria dizer que elas amor maior nesse mundo não merecem?

Mãe é uma das poucas unanimidades do mundo, se não a única, aplaudida, reverenciada e não burra. Inquestionável até mesmo pela ciência. Se você quer ver uma ser melhorado nos mais variados aspectos: sensitivo, gustativo, psicológico e estético, esse é a mulher quando se torna mãe. Mãe é um milagre. Talvez por isso todas as mulheres tanto almejem esse sonho, além de perpetuar a espécie, já em risco, essa é uma das formas delas alcançarem à sublimação.  

Lembrando agora de Bandeira, o poeta, parafraseio: “Mãe só deve ser uma santa” e santa, no dizer dele e agora no meu, não é aquela que nunca cometera pecado. Antes, a que redireciona valores, concede perdão aos que, vistos por seres normais como eu e você, desprovidos do dom materno, seriam imperdoáveis. A Mãe ver em nós, coisas menores alcunhados de filhos, amor e graça. Elas nos redescobrem, moldam-nos. São de fato o exemplo mais vivo e próximo do amor de Deus.

Deus, por exemplo, por ser ele Quem ou o Que É. O Único, o Ser, o Pai, poderia simplesmente ter posto na terra seu filho em um roçar de pálpebras, ou num deslizar de mãos sobre o azul celeste sem fim e ponto final. Quiçá no estalar de dedos da mão divina: “SNAP”. Pronto, estaria seu filho entre a humanidade sem que nós, meros mortais, pudéssemos nos dar conta da origem de seu surgimento ou ousássemos questionar o aparecimento do filho Dele, pois tamanha é a sapiência e infinito é o poder divino. No entanto, Deus permitiu seu filho vir até nós em forma humana, enaltecendo a humanidade e redefinindo a figura da mãe: mãe divina, exemplar, mãe do filho de Deus. Olha que coisa!

 Agora, Aproximando-se do dia das mães, impossível eu não pensar na mulher que meu deu luz, lume e prumo, me recriou, e, mesmo sabendo que ela não me vela mais, lembro-a nesse texto numa forma de revê-la. Concluo que a nós filhos, muito mais que cobrir esse ser iluminado “mãe” com mimos, flores, chocolates e beijos, o mínimo que podemos fazer nesse caminho, isso para aqueles que buscam ser melhores enquanto ser humano, é respeitá-la e amá-la na imensurável dimensão que lhe cabe.

Lembra ... “amor mais bonito que existe”, “um anjo em nossas vidas”, “mãe e amar, não é preciso nem rimar” etc., etc., etc. .... Pode ser mesmo clichê de comerciante, mas quem ousaria dizer que elas amor maior nesse mundo não merecem?



    Valdemir Guimarães