quinta-feira, 13 de julho de 2017

Quando olho no teu olho
Vejo de pronto, de soslaio, no teu horto, outro
Me dispo, me dano, me engano e  saio
Da sala, do quarto e vou pra rua sem ter ido.
De olho pra lua que é minguante
Respiro e entendo que antes e sempre teu amor
Me fora divido.
Não nos temos por inteiro, senão, fracionados
Pela metade, como na queda da moeda,
Só se pede um dos dois lados.  
Um lado é meu e o outro de teu amado.
Teus ais e os meus são para ninguém ouvir
É um amor silente, calado.
Feito à noite quando todos já dormem
Nem mesmo sabem as sombras dos nossos corpos
que, quando suados, se veem sem por si darem-se por amados.  


Valdemir Guimarães 

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