JUSTIFICATIVA
PARA O I SARAU DO CEJA LÚCIA BAYMA
Um
centenário em prosa e canto
Não é novidade falar-se em projetos escolares sobre
a importância da leitura no grupo escolar e na comunidade, como também não é nova
a postura de em projetos se exaltarem a importância de uma ou outra autoridade
do mundo das letras. A ideia não é nova, mas é de se louvar a iniciativa
presente. Isso por que a leitura de textos literários não é tão comum assim na
comunidade em que esse projeto se insere e, também, por que não é sempre, na
verdade, é uma oportunidade única, que se têm ícones da literatura e da musica nacional
e regional, Jorge Amado, Nelson Rodrigues e Luís Gonzaga, festejados
nacionalmente pelo seu centenário. Centenário, aqui, deve-se entender como
tempo de vida que esses homenageados fariam se estivessem vivos, completariam
todos cem anos neste ano de 2012. O instante se faz mais que propício para se
conhecer e reconhecer traços estilísticos que fazem desses homens especiais na
cultura que a descrevem e fazem parte.
Em meio a comemorações, festas e festins, está a
necessidade de se deparar com formas de expressões inovadoras, desafiadoras e
contemporâneas advindas dos renomes em questão.
Jorge Amado, autor mais adaptado pela televisão
brasileira e também o que mais vendeu livro, excluindo Paulo Coelho, segundo o
site Wikipédia, é,
talvez, um dos mais carismáticos pela sua postura simples e popular. A
linguagem baiana e brasileira, a construção dos seus personagens embebidos de
brasilidades e a maneira nem sempre sutil, mas, sobre tudo, enfática de
questionar o desmantelo dessa nação, por isso, e outras características
plausíveis fazem deste homem digno de ser lido, relido e celebrado em um Sarau
escolar.
Nelson Rodrigues, dentre os três escolhidos, talvez
seja o mais desconhecido, isso por sua literatura enveredar pelo inconsciente
humano, pela alma e por tratar de temas não muito discutidos a luz redentora de
qualquer pecado ou preconceito na sociedade. Mostrar traços desumanos,
sentimentos não muito nobres sem tal personagem incorporar a mascara de vilão
não é nada fácil de aceitar por quem o ler ou mesmo de retratar. E Nelson
Rodrigues conseguiu bem isso, teatrou, como ninguém, flagrantes da tragédia humana
e brasileira de forma incisiva e bela e também terna, “hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”.
Luis Gonzaga, uma bíblia
nordestina, devia esse ser mais que aplaudido em escolas, em Saraus, festas
regionais, chás e outros eventos, não pelo fato de se destacar com letrado,
intelectual sisudo e pragmático, mas antes de tudo, “porque ele é que fala
gostoso o português o Brasil ao passo em que nós o que fazemos é macaquear a
sintaxe lusíada”. Por ser ele o nordestino que mais emplacou a linguagem, as
alegrias e dores de seus conterrâneos espalhados por todo o Brasil.
Portanto é justo e necessário
pensar nesse “Sarau”, além de tudo seria uma forma singela de se homenagear,
conhecer e fazer a comunidade se despertar por esses caracteres que só enobrecem
o fato de ser brasileiro e nordestino, pois todos os homenageados vêm da mesma
safra: pernambucana, Luis Gonzaga e Nelson Rodrigues; Baiana, Jorge Amado, ou
seja, o nordestino se fez em alta nesse Brasil de Deus nosso.
Valdemir Guimarães
Nenhum comentário:
Postar um comentário