quarta-feira, 15 de agosto de 2012


JUSTIFICATIVA PARA O I SARAU DO CEJA LÚCIA BAYMA
Um centenário em prosa e canto

Não é novidade falar-se em projetos escolares sobre a importância da leitura no grupo escolar e na comunidade, como também não é nova a postura de em projetos se exaltarem a importância de uma ou outra autoridade do mundo das letras. A ideia não é nova, mas é de se louvar a iniciativa presente. Isso por que a leitura de textos literários não é tão comum assim na comunidade em que esse projeto se insere e, também, por que não é sempre, na verdade, é uma oportunidade única, que se têm ícones da literatura e da musica nacional e regional, Jorge Amado, Nelson Rodrigues e Luís Gonzaga, festejados nacionalmente pelo seu centenário. Centenário, aqui, deve-se entender como tempo de vida que esses homenageados fariam se estivessem vivos, completariam todos cem anos neste ano de 2012. O instante se faz mais que propício para se conhecer e reconhecer traços estilísticos que fazem desses homens especiais na cultura que a descrevem e fazem parte.
Em meio a comemorações, festas e festins, está a necessidade de se deparar com formas de expressões inovadoras, desafiadoras e contemporâneas advindas dos renomes em questão.
Jorge Amado, autor mais adaptado pela televisão brasileira e também o que mais vendeu livro, excluindo Paulo Coelho, segundo o site Wikipédia, é, talvez, um dos mais carismáticos pela sua postura simples e popular. A linguagem baiana e brasileira, a construção dos seus personagens embebidos de brasilidades e a maneira nem sempre sutil, mas, sobre tudo, enfática de questionar o desmantelo dessa nação, por isso, e outras características plausíveis fazem deste homem digno de ser lido, relido e celebrado em um Sarau escolar.   
Nelson Rodrigues, dentre os três escolhidos, talvez seja o mais desconhecido, isso por sua literatura enveredar pelo inconsciente humano, pela alma e por tratar de temas não muito discutidos a luz redentora de qualquer pecado ou preconceito na sociedade. Mostrar traços desumanos, sentimentos não muito nobres sem tal personagem incorporar a mascara de vilão não é nada fácil de aceitar por quem o ler ou mesmo de retratar. E Nelson Rodrigues conseguiu bem isso, teatrou, como ninguém, flagrantes da tragédia humana e brasileira de forma incisiva e bela e também terna, “hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”.
Luis Gonzaga, uma bíblia nordestina, devia esse ser mais que aplaudido em escolas, em Saraus, festas regionais, chás e outros eventos, não pelo fato de se destacar com letrado, intelectual sisudo e pragmático, mas antes de tudo, “porque ele é que fala gostoso o português o Brasil ao passo em que nós o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada”. Por ser ele o nordestino que mais emplacou a linguagem, as alegrias e dores de seus conterrâneos espalhados por todo o Brasil.
Portanto é justo e necessário pensar nesse “Sarau”, além de tudo seria uma forma singela de se homenagear, conhecer e fazer a comunidade se despertar por esses caracteres que só enobrecem o fato de ser brasileiro e nordestino, pois todos os homenageados vêm da mesma safra: pernambucana, Luis Gonzaga e Nelson Rodrigues; Baiana, Jorge Amado, ou seja, o nordestino se fez em alta nesse Brasil de Deus nosso.
             Valdemir Guimarães

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