quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Será que ela do lugar onde está
Sente o que eu sinto?
Saberá talvez em sonho
O quanto andei ou adentrei no labirinto?
Quando criança eu dormia ao seu lado
Sentia-me dos filhos seus o seu predileto
E embora me acordasse na madrugada
Me chamando por um nome que só ela me deu
Desconfiada de barulhos da noite
E soubesse dos meus mimos e preguiça
Via-me consultar o banheiro e examinar
Não mais de mil grilos e suas sinfonias.
Só sei que do lado onde estou
Vai, não vou, vejo-a baixar aqui
Na manhã, no café da tarde, depois da janta
Ou bem aí onde esparramados nas cadeiras
Buscávamos forjando lembranças antigas
A paz de um amor que só eu sei onde se abriga.

Valdemir Guimarães 

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