Que sonhos sonhas
durante a noite e que não contas durante o dia?
O que penetra nessa
tua fronte e se revela em ideia?
O que queres nesse
circo sem plateia?
Quando mais menina
possivelmente mirava a mocidade
Cólicas, menstruo,
lápis para o rosto e um amor sem maldade
Suas amigas de
infância, o amor fraternal de teus pais
Ainda a seguem? Há
quanto tempo isso faz?
O que por hora vejo
e publico é um flagrante de tua beleza:
A aspereza de tuas
mãos, revelando o labor diário
o riso fácil de teus
lábios que se abrem e iluminam a certeza
dos que ao teu lado
estão ou aos que simples passam...mudos, sem razão
O que vem à frente,
menina, é um enigma,
e nem você, eu ou
ninguém pode precisar o dia seguinte: o próximo ato.
E aí está a graça da
vida: é sempre inédito o imediato capítulo.
Olhando assim, passo
a entender teu gesto simples, teu riso infinito:
aspergindo o dia com
tua alegria, amanhece no teu jardim flores
colhe-as
independente das estações, amar é multiplicar sensações.
Valdemir Guimarães

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