domingo, 8 de setembro de 2013





















O que gritas por traz desse rosto de menina?
Que sonhos sonhas durante a noite e que não contas durante o dia?
O que penetra nessa tua fronte e se revela em ideia?
O que queres nesse circo sem plateia?

Quando mais menina possivelmente mirava a mocidade
Cólicas, menstruo, lápis para o rosto e um amor sem maldade
Suas amigas de infância, o amor fraternal de teus pais
Ainda a seguem? Há quanto tempo isso faz?

O que por hora vejo e publico é um flagrante de tua beleza:
A aspereza de tuas mãos, revelando o labor diário
o riso fácil de teus lábios que se abrem e iluminam a certeza
dos que ao teu lado estão ou aos que simples passam...mudos, sem razão

O que vem à frente, menina, é um enigma,
e nem você, eu ou ninguém pode precisar o dia seguinte: o próximo ato.
E aí está a graça da vida: é sempre inédito o imediato capítulo.

Olhando assim, passo a entender teu gesto simples, teu riso infinito:
aspergindo o dia com tua alegria, amanhece no teu jardim flores
colhe-as independente das estações, amar é multiplicar sensações.

                                                                                Valdemir Guimarães



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