quinta-feira, 6 de julho de 2017

Céu, não de estanho, mas estranho
Tempo difícil de si distinguir
O cidadão do mal ladrão
Ruas vazias, opacas pessoas, inda sim, sigo
De mãos vazias e sozinho
Não há vento no meu rosto caminhando para agosto
Ou canção que embale meu coração.
Meus heróis estão presos ou são suspeitos de corrupção
Até deus parece que deu adeus a sua cidade
agora desgenerosa.
Tempos difíceis esses sem referencial
Sem da musa um sorriso, um olhar, qualquer sinal.
Amigos meus, ainda assim, como se eu fizesse uma prece,
Humildemente, lhes peço: andemos
Antes, é claro, demo-nos as mãos.
Não haverá poesia, mesmo que medíocre,
Pois os tempos são difíceis,
ou esperança de uma possível alegria, um aventurado gozo,
Se uns contra outros debatermo-nos, lutarmos.

O tempo é de noite sem fim, estejamos juntos
Próximos do fogo, andemos
a vida é de luta
...daqui eu já ouço o clarim.

Valdemir Guimarães




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