sábado, 8 de dezembro de 2018



  

Eu já ouvira em uma aula de história
Ou geografia quando por osmose despencaria da boca da professora uma enxurrada de países do oriente médio sob o insigne: lugar sem remédio.
Lugar onde nascera as principais religiões
Às vezes me pergunto se há um Deus ouvindo seus seguidores
Ou de longe lá do ALTO só resignam-se em dores
Médio Oriente sem rumo...sem prumo, minhas preces
O vento quente do equador as dilui em
Vazias ideias, torpes onomatopeias.
Mas ainda assim teço em versos ao Oriente
ao Iêmen aos que o fazem planta e semente.
É limitado ao norte pela Arábia Saudita, a leste por Omã, ao sul pelo mar da Arábia e pelo golfo de Áden
quem dera fosse o Éden
E o mar da Arábia fosse de fato azul
E que de rubro sangue e morte não fosse as cores que por hora emblemam sua bandeira.
Sinceramente, chorei sobre a cadeira quando em meio a minha parca infelicidade a notícia explodiu: de fome a guerra no Iêmen Já matou crianças para mais de OITENTA MIL.

Valdemir Guimaraes









sábado, 25 de agosto de 2018


O que ruim desatou de mim
Antes mesmo que que eu visse
Se perdeu ao ciclo do vento
Ao cio do esquecimento, esvaiu-se.
Causa da dor também
Ao relento de carne exposta aos sois
Ao ar quente desses cocais
Nos varais da tarde
Inda duvidei: nada mais sangrais?
Os falsos passos do ressentimento
Já não os ouço...foram-se
O coração me despertou e me disse anda
Ao antes inimigo, teci-lhe
Preces em poemas, dei-lhe abrigo
Nada de vaidade ou vadiagem
Se o amor despertou, não vou esquecer
Vingança ou rancor são restos
Não se serve e não serve
Aos gratos pratos do são amanhecer.

Valdemir Guimarães

sábado, 11 de agosto de 2018


No afã da espera
Ansioso chego ao osso
E não mais que um fã morto
Encontrará no lugar posto.

Valdemir Guimarães    

quarta-feira, 8 de agosto de 2018


Queria no fundo ter a força de Gil
Vencer doenças e medos,   
Cantar o perigo, flertar o psicodélico
Sem medo no coração
Benéfico desamores, Deixar você ou  Drão
Poemas deletérios: exotérico.
Ver além da morte, e dizer sem segredo
Dela não ter medo
Aos 76, lançar mais um disco
E na TV, se expressar, ser viso.
Bem de perto, seguir seus passos de peito aberto.
Pena de quem ainda seus poemas
Seu som e discografia inda não ouviu
Eu queria a prumo ter a força de Gil.

Valdemir Guimarães


  



quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Meu coração é de velho
Esquece até dos próprios cuidados
Agita-se por nada, transgride a respiração
Põe o corpo em suspeição e o amigos
                       dele avisados.
Sei que jovem irei morrer
O coração talvez pare primeiro
Será o dianteiro a sentir o que é não mais
Está aqui.
Será que esse coração irá levar em algum lugar
No seu oco espaço ou nos seus átrios
E ventrículos nomes, íris ou eflúvios de
Amores que lhe fez tanto a vida bombear?
Agora o Preferido de Saturno é o que faz
C a m i n h a r
Não há aqui mentiras tantas
Que o espirito santo pragueje e Deus lance
O veredito fatal
Há cama, calma e alma.  
Lança meu velho coração seus jatos de sangue
às velhas veias a dentro pelo corpo
Mantem-o de pé, mesmo esse em plena dor
insistindo em viver pelo viés do amor
até quando mais nada eu for. 

Valdemir Guimaraes

terça-feira, 31 de julho de 2018








Habitante do planeta fome
me pegou pelas lágrimas
Me fez sentir em pares
Ela soa som
Soa vida
Elza soa ares.

Valdemir Guimarães


domingo, 29 de julho de 2018


Depois de uma noite mal dormida
Teu corpo inda cansado se firmará de pé
A estrada longa. E o que a consola
É o instante de alegria por brotar...
Há mares, sal e sol cercando toda essa ilha
intrigas, ciumes e toda sujeira
não posta sob o tapete
Um amor em ebulição vozea noutra capital...
Não sei se isso é bom sinal, mas peço a Deus
Por tua alegria a se estender por tua família
E quando retornar a teu lugar, a tua casa
A tuas manias de menina
Leia este poema, este poeta menor
Que flerta com a saudade, com a indefinição
de sentimentos misturados
Por favor, veja não as lágrimas
Que saltaram ao chão, ganharam o passeio e a rua
Essas, embora sinceras
Não precisam com exatidão a falta tua.  

Valdemir Guimarães

sexta-feira, 27 de julho de 2018













Sim, só podia ser ao som de um blues
E a voz não menos sensual de Joplin.
O que ninguém supõe ou adivinha
São suas ancas divididas por uma florida calcinha
E você minha tímida ninfa num Strip tease
Se revelando pra mim.

Sim, só podia ser ao som de um blues
E a voz não menos sensual de Joplin.
As cores conspirando para azuis
Em tons de carne, suor e saliva
E você bem relaxada depois de um suave
Quinta do Morgado.
Não tragamos, não há fumo e nem vontade
O teu olhar miúdo diz-me tanto
Sobre esse instante.
Ao passo que te puxo para cá, perto de mim
O aroma de tua pela expande-se, ganha ar
Seiva escorre de teus lábios, mucosas de preta
Humedecidas pelas investidas de tua língua.
Vem meu amor, esta alcova e mais nada
É testemunha dos nossos pecados
Nada de doggings, de aventuras pelas ruas
É hora de te ter... em tom de carne, suor e saliva
Summertime soa... é mais um blues
Descambamos enfim em floridos azuis.

Valdemir Guimaaraes

terça-feira, 24 de julho de 2018

Antes mesmo do teu olhar miúdo
De teus passos de danças
Ancas em balanço de lá pra cá
como num samba entre a Sola e o Salto..
Bem antes da tua cintura que minhas mãos
hoje enlaçam ou dos beijos que nos demos
a saliva em seiva que irriga
os lábios meus e teus
Muito antes do teu sexo desprotegido
sem apelos ou pelos, teus seios nanicos..
Antes, bem antes de teu anunciado nascimento
eu já havia amado:tive sim outro amor antes do teu
E assim como eu, vejo pelos gestos teus
você revendo os retratos de antes
Teu ex-namorado escancarado ainda no instagram
                 quase estragando o meu dia...
É ciúmes, sim...Sinto, não minto.
Isso,insisto,antes mesmo que tua boca em risos
me digas "com meu passado não quero intrigas".

Valdemir Guimarães 

quarta-feira, 18 de julho de 2018


Ando por uma rua onde todos vão
E é vã o lerdo pensamento de tê-la como irmã.
Segue você agora sozinha sem o meu olhar
Atento como antes.
Outrora, amantes, nas vielas, ruas e passarelas
Meus passos contigo seguiam e ainda assim
Convivíamos com tantos perigos que só a rua propicia
A quem principia como você
ou já em anos idos como eu
Não rara, em árdua cor, a vida se Anunciara.

Mas vá, meu amor, agora sem os olhos meus
de ágil águia, natos soberbo de macho
Zeloso por um agudo orgulho, camuflado de amor.
Se não é vaidade que invade minhas íris
Sinto e tateio teus olhos e eles são sãos.
Livres, veem a mim ou o que assaz lhe apraz
não mais que bons irmãos.

Valdemir Guimarães




quarta-feira, 11 de julho de 2018

Qual o dia que se abre bonito em dia de chuva
os pingos pingando pelos beirais das telhas
ainda vermelhas do barro cozido
ou ainda o clarão do sol que abriu-se ante
a antipatia de transeuntes, seguindo sem rumo
pelas ruas, vias ou becos
que é assim que se chama por aqui
inflama assim tua beleza em repouso na minha cama.
Depois do coito, as pernas inda trêmulas
O corpo exausto da entrega sem medida
Miro você mais uma vez.
São os mesmos dedos da mão que tomou tua vagem
depois da viagem de sal e suor que agora alisa teus seios,
sem rodeios, enlaço teu colo, colando teu rosto ao meu
e num beijo ainda em desejo vejo que o amor
também se faz assim
eu vetusto vivendo cada minuto do fim
e você púbere fazendo-se em flor
rebentando em cor meu turvo  jardim.

Valdemir Guimarães 

segunda-feira, 2 de julho de 2018


Se ouço tua voz
numa canção vulgar e não consigo sentir
outra coisa senão ternura
penso na loucura que é o ser humano.
Esse filho de Deus que rouba, mente, esfola
Desrespeita e mata a faca, a bala e envenenado
É ao mesmo tempo aquele que consegue
Consolar, mimar, amar e sentir saudades.
Quanta controversas nas atitudes parece conversas de bar.
Tua voz soa numa gravação mal feita
e meu coração a aceita feito uma oração
Te vejo menina, flor e mulher, alguma forma
Humana não vista e tão comum
Mulher, sei, nas formas mil que o homem assumiu
Você se faz agora pra mim em tudo o amor brotou
É sonho, delicadeza e gentileza...
Haja coração, pra tanta beleza.

Valdemir Guimarães

domingo, 1 de julho de 2018


Depois de seguidos beijos úmidos
Que seguem de tua orelha ao umbigo
Um figo resolvi comer.
E como não remeter a imagem da fruta crua
Ao teu sexo que segue livre no teu corpo nu. 
Se de costas se prontifica e relaxada ficam
Em ângulo suficientes as ancas
Meus dedos fazem-se ágeis no teu grelo      
Em lisa siririca
Enquanto bruto ao rego lúbrico
Encurvo num vai e nem fica a inquieta pica.  

         
 Valdemir Guimarães

quinta-feira, 28 de junho de 2018


Andas pelo corredor da escola
Desliza leve pelo pátio passo a passo
Como se descalça andasses e nuvens fossem teu assoalho
Até chegares a tua sala, nossa sala
Amplo salão onde se encontra apena tu e eu
Lá espero com o lerdo caderno ainda aberto na carteira
Que nada me diz sobre o que faço ou fiz
Nem mesmo os textos caligrafados em hieróglifos
Tão compreensivo e antigos como nosso amor.
Existem Estados, cidades, Presidentes, geografia
Literatura ou história que narre o meandro dos teus lábios
E que matemática precisará o silabar fleumático
de meu nome escorrendo entre teus dentes?
Se me dizes que sou o teu namorado
quem lhe faz bem por estar ao teu lado
faço-me feliz.
Mesmo sabendo que há sábado sem luz
Domingos de incertezas, bocas abertas e sonhos
De pão que nunca se realizarão na mesa
Infelizmente, fico feliz...
Se nesse átimo de segundo você invade a sala
A tua sala, a nossa sala trazendo consigo a luz
E vem pernas, bunda, boca e seios e veias nos teus
Braços e o sangue que viaja por elas e te faz viva
Isso me refaz em vida e é tano que molha em pranto minhas
Mãos e caderno
aperto o coração e entendo que enfim amo
como se nunca houvera para minha vida outro plano.


terça-feira, 26 de junho de 2018

Dia 26 tantos como Gil
Em meses diferentes, julho
Março ou  quiçá em abril, aniversariam.
Só que Ele, o cantor, é em junho: viva a vida.
No caso de Daniel, nome forte e bíblico
Foi o contrário, abriu-se a ale outra via
túnel sem fim e sem critérios, o profundo mistério.
Caro, Daniel, esteja você onde estiver
Céu, Jardim ou onde mira hoje a fé dos que te choram
Saiba que aqui os teus te velam
e guardam lembranças tuas.
Umas boas, outras que não se ecoam
               por teus familiares
e levam esses também teu gene,
parte crua da matéria tua
além do teu resíduo espiritual.
Por hora nesses dias de amor e sorte
Digo feito Gil: Não tenho medo da morte
Mas sim medo de morrer...
Sentido a ida tua, mesmo sem te conhecer
Vejo que Mais virtuoso é você, caro Daniel,
que fechou os olhos, encarou o abismo
cessou a ida e se encerrou no tempo sem despedida.
   


 Valdemir Guimaraes 

sexta-feira, 22 de junho de 2018


Agora que estou com a cabeça equilibrada
E olho para os teus olhos e mais nada
Sim, eu vejo o desespero que é viver
Como se eu não saísse mais sem mim.
O prazer de abraçar o dia sem o peso da despedida
Acenar para os amigos, parentes sem mentir
Pelo simples fato de não mais sentir...
Se é noite na tua cidade e a lua não acena como antes
Sempre haverá outras ruas, lembra,
amores, sabores e amantes..
Vivamos como bons amigos,
Libertos do que um dia houve e já é ido
A manhã se faz como um presente
Recebamos e sigamos rentes
O amor se esvai... outros nascem,
melhor ver assim, e não acabam...
floram, viram jardins.

Valdemir Guimarães

segunda-feira, 11 de junho de 2018


Hoje que é o dia dos namorados
apenas beije-me e esteja ao meu lado.
E o amanhã mais uma vez se fez
O que o amor já havia anunciado.

Valdemir Guimarães

quinta-feira, 7 de junho de 2018


Sei que ando só
Eu e meus sentimentos
Pesares, pecados e aflições.
Esperanças encardidas de outros verdes ares
Depositei mais uma vez pelos bares
E enquanto o amor não chega, ando só
Abraço o amigo, rio de passados felizes
Refletido na cor de tua íris.
Solvemos o meu dilema, enquanto a noite dorme
Noutra cidade, aquela em que fui muitos
Muito, menos de fato feliz
Qual a cor refletida na ponta do teu nariz.

Valdemir Guimarães


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Estás doente
Febre, amídalas inflamadas
E dor estendida ao corpo.
Não há apetite que resista a tamanha inflamação
E aqui, meu coração acompanha de longe
Tua possível melhora...
Por hora nada me dizes.
E penso em flores, cores, alegria e risos fáceis
  ... tua voz de ainda menina ecoando no ar.
Mesmo sem saber rezar e sem acreditar em deus algum
Preço com a fé de Josué que logo se recupere
Possa alimentar-se bem e em breve recupere tua energia
tua alegria delineada nos teus passos de dançarina
sob uma chuva de purpurina.

Valdemir Guimaraes

segunda-feira, 28 de maio de 2018




Em “Les Epoux Von au lit”
há mais de cem anos
Para ser mais exato, em 1896
apareceu pela primeira vez
numa tela de cinema  um nu, feminino.

Na cena, o marido aguarda no leito
antes de ir a cama, a mulher que se despe.
Hoje em dia em que se é tão normal o nu frontal
Não sei o que me fez repensar sobre tua nudez.

Claro que não foi teus seios acanhados
O teu umbigo, o ventre, o quadril alargado
Muito menos tua ampla anca.
Os teus pés e joelhos de bailarina
Axilas lisas em flor de perfume
Nem o monte púbico livre de pelos
Me fizeram mesmo em segredo refazer em minha mente
Todo o percurso do teu corpo, da frente ao dorso.
Então, terá sido teu topete
em permanecer nua, sem pelos
em poses de modelo às minhas lentes que flanam 
catando planos e ângulos de você em minha cama?
 

Valdemir Guimarães




domingo, 20 de maio de 2018


Quando o passo é em falso
O cadarço no aguardo do laço
Afino o faro, penso e Paro.

Huum...Mas nem sempre é assim.
Não sei se em dia de sol
E luz intensa
Cego a crença de quem pensa
cedo-me a dessiso e  ajo sem siso
Ou em noite de lua imensa e abissal  
Carregada de sombra e sal
Deixo o instinto ir sem fim
E aí ai de mim.

Se o corpo pede
E alma rasteja
Só peço a Deus que nos proteja.

             Valdemir Guimarães



quinta-feira, 17 de maio de 2018


Ouvindo uma canção
assim como eu fazia  no final de tardes
Ligado nos sucessos das AMs locais 
ou das FMs joviais isso na década de 80
paixão que não se reinventa
meu amor, sinto-me melancólico...

E se a canção é “chuva Fina” de Michael Sullivan
De um disco lançado para plataforma digital
nessa década plugada de ar moderno
e se essa mal chega a você ou chega mal
não se incomode
não a delete sem ouvi-la até o final
há alma nos acordes e vida  nos poros
que me traz você
assim como diz Paulo Diniz cantando “Pingos de Amor”.

Por hora, não chove lá fora e em nada a lua me ajuda
Só uma aguda vontade de lhe ver me vem nessa letra
que soa do som ao meu lado
lembrando-me o que no final das tardes vazias
em oitenta sem em mais nada pensar
flagrava-me ligado nos sucessos das AMs locais
ou das FMs ali joviais.

Valdemir Guimarães


2018



PERIODICIDADE DE ELEMENTOS DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NOS TEXTOS DE FICÇÃO DO ESCRITOR JOÃO BATISTA MACHADO, DELINEANDO A IMPORTÂNCIA DESSA CULTURA PARA FORMAÇÃO CULTURAL CODOENSE


Valdemir Guimarães Sousa





Resumo

O artigo presente se propõe a quantificar a presença de elementos da cultura afro-brasileira, sobretudo no que se refere aos aspectos religiosos, no livro “O Imaginário codoense”, capítulo I - Essa Histórias, do escritor também codoense João Batista Machado, fazendo um reflexão sobre a função da ficção como elemento formador da cultura de melhoramento ou de deterioração de conceitos no que diz respeito a cultura afro-brasileira. Para isso foi feita uma leitura sobre a bibliografia do autor, além de consultas em artigos e obras afins que traçam uma ponte entre a ficção e sua atuação no meio em que ela é produzida e consumida.  

Palavras-chave
Cultura afro-brasileira, Religião, Ficção, Melhoramento, Deterioração


1   INTRODUÇÃO

O presente trabalho surgiu da necessidade de mostrar a frequência de elementos da cultura afro-brasileira no que tange a religiosidade na obra “O Imaginário codoense”, capítulo I- Essas Histórias, do Escritor codoense João Batista Machado, historiador e pesquisador por natureza, revelando o papel da obra ficcional na comunidade em que ela se insere, quando o elemento descrito na produção literária pode ser abordo de maneira melhorativa, neutra ou pejorativo. Nesse processo de pesquisa foi feita leitura do capítulo do livro já mencionado do escritor codoense, além de literatura afins, artigos, resenhas, em que se discorre sobre a arte, literatura e seu papel na sociedade.
O que se pretende é revelar o poder da literatura ficcional local na formação ou desconstrução de conceitos. Quando conceitos são elaborados sem a luz de uma literatura vinculada com o discurso político engajador e de valorização da cultura de povos, esses podem vir carregados de ideias preconceituosas, campo fértil para nascer ideias taxativas de costumes como sendo de melhor ou pior cultura. Tendo em sua maioria os povos mais pobres essa classificação última.
A investigação vai revelar se o escrito de João Batista Machado (2012) pode reforçar a ideia preconceituosa como é vista a cultura negra, no que tange sua religiosidade, ou revelar outra imagem que não seja negativa, mas sim, de valoração da cultura afro-brasileira.


2   DESENVOLVIMENTO

LITERATURA, ALÉM DE ENTRETENIMENTO, MEIO SENSIBILIZADOR DE REALIDADES

O valor da literatura para humanidade é incontestável, pois sua relação entre o escrito (letra) e arte, funcionando como uma espécie de upgrade ao texto, proporciona aos que dela se aproximam aprendizado de sua própria história, amplia seu repertório em direção a fantasia, encontra reflexões sobre a condição do ser humano, aproximando-se da filosofia, e tudo isso imbuído de uma atmosfera, trabalhada com esmero e estética. Como dito anteriormente, não se contesta a valoração da literatura a serviço do aprendizado, da reflexão ou tão somente, e não menos importante, entretenimento à humanidade.
“A poesia, enquanto expressão mimética, mantém essa função e reveste-se assim de uma importância moral. O dever do poeta, diz Aristóteles, não é contar o que aconteceu na realidade, mas o que poderia acontecer, por necessidade ou probabilidade”. (Macedo, 2017) A poesia, interpretada aqui como Literatura, não se limita a contar o que se passou na sociedade, cabendo, com propriedade, aos historiadores, ela vai além disso, cria possíveis realidades, busca visões diferenciadas para se contar enredos verídicos com holofotes imbuídos de lumes da estética moderna ou de um tempo que o autor haja eficaz ou necessário. O falar da literatura extrapola o tempo em que foi criado, por isso seu discurso é forte e necessário para qualquer sociedade.
“Nesse sentido, o texto literário introduz um universo que, por mais distanciado da rotina, leva o leitor a refletir sobre seu cotidiano e a incorporar novas experiências”. (cf. ISER, 1993 apud  ZILBERMAN, 2018). A literatura, lembrando Zilberman, cumpre sua função social de fato quando leva o leitor a refletir sobre sua realidade social, sobre o mundo em que está inserido. O leitor passa dessa forma, se feita uma leitura política e ativa, a ser um agente transformador do meio em que vive. Não perdendo de vista a função também de entretenimento dos textos literários.   

2.1    A LITERATURA MARANHENSE ENGAJADA COM O DISCURSO DAS MINORIAS
Em acordo com os pensadores de distintos Estados do Brasil e demais escritores que extrapolam limites geográficos nacionais, grupos de lavradores da literatura de expressão maranhense, nas suas distintas formas de expressão, ligados a estética do belo, usaram sua escrita a serviço de uma política voltada para as minorias. Temos como exemplo a escritora Maria Firmina, que por si, é própria minoria representada, por ser mulher e negra, em meio a literatos, em sua maioria, homens e brancos, discorre sobre a temática do negro e escravo no Brasil, “O livro de que se lira está edição fac-similar é talvez a maior raridade bibliográfica do Maranhão. Trata-se de romance escrito por mulher e passou por ser o primeiro no Brasil de autoria feminina”. (H. A. 1975, Ursula).
Outros escritores Maranhenses antes, e depois de Maria Firmina, também trabalharam temáticas que refletisse o momento social e político desse república, tais como, isso sem obedecer uma ordem cronológica,  Josué Montello, em sua propagada obra “Os tambores de São Luís”, Salgado Maranhão, já citado no artigo “Caminhos da Resistência Literária em Seis Poetas Negros Contemporâneos Brasileiros” de Rosangela Sarteschi1, Ferreira Gullar, incansável cantador das minorias, isso só para ilustrar alguns escritores que possuem como se fosse missão propor uma reflexões sobre os personagens marginalizados ou excluídos que no processo de mimese nos permite identificar seres também sem voz na sociedade maranhense. 
A Literatura maranhense como, de um modo geral, a brasileira e universal permitem numa análise, a princípio do fictício, fazer ponte com a realidade vigente, levando o leitor a criar imagens, levantar hipóteses e se envolver de certa forma com a situação política da qual o texto possa relacionar.

2.2    EM CODÓ, O ESCRITOR
João Batista Machado, filho de Codó, nascido em 24 de junho de junho de 1925, falecido em 22 de março de 2016, produziu muito sobre sua cidade, publicado teve apenas dois livros Codó, histórias do fundo do baú (1999) e Imaginário codoense (2012). Porém, relata Prof. Carlos Gomes no artigo publicado Páginas de Codó que o referido autor:
Participou das obras literárias: “Antologia de Poetas”, da Nova Geração, compilada pelo poeta Raimundo Araújo, “Antologia da Moderna Poesia Brasileira”, “Suspeita”, peça de teatro; essas importantes obras foram prefaciadas por acadêmicos da Academia Brasileira de Letras, como Álvaro Moreira e Aníbal Machado, dos quais era grande amigo, incluindo-se também, Ledo Ivo e Alcides Pinto, poeta e romancista, este, seu companheiro de república. (GOMES, 2013).

 O seu leitor espera ainda outras obras a serem publicadas, já que o escritor foi incansável em vida no registro e pesquisas dos costumes, fatos relevantes da cidade, causos que envolvia toda a sociedade codoenses.
Na sua literatura publicada, tem-se duas obras que faz um estudo histórico, além de desfilar enredos ficcionais fantásticos que estão presentes na cidade de Codó. Traça sobre esse município sua história, conta o surgimento, passeia pela formação de seu povo, cultura, ficção, reconta relatos sobre personagens marcantes já falecidos e outros ainda vivos, relata estórias do imaginário e ainda reproduz documentos, na visão do escritor, essências para história local e do Brasil.
O estudo presente quer mostrar o valor da ficção machadiana do Codó no que diz respeito ao engajamento político, refletindo sobre as minorias, no caso em questão, elementos da cultura afro brasileira nos que diz respeito a religiosidade, revelado a consonância com a gêneses do pensamento literário, no dizer de Zilberman, quando esse leva a refletir sobre o cotidiano e a incorporar novas experiências.

2.3    RECORTES DO IMAGINÁRIO CODOENSE
O segundo livro do escritor codoense João Batista Machado, “O imaginário codoense”, pulicado em 2012, objeto, aqui, principal desse estudo, é uma sequência dos estudos feitos pelo escritor. No dizer de Mundicarmo Ferretti “É um livro de narrativas e transcrições de histórias de Codó, ouvidas ou vividas pelo pesquisador e escritor João Batista Machado”. (Machado, 2012). Embora feito à luz das pesquisas científicas com citações de documentos essenciais para o estudo da história do município codoense e o estado do Maranhão, percebe-se no livro, intencionalmente posto pelo autor, um caldeamento de ficção e realidade, cabendo ao público absorvê-lo de imediato ou filtra-lo se assim se convir. Mas nunca menos importante pelo uso dessa técnica. O livro em destaque é dividido em duas partes I- ESSAS HISTÓRIAS E RELATOS, no dizer do autor, a primeira parte, ficcionárias, respaldadas no seu imaginário. Já a segunda parte, Relatos, contendo episódios históricos vivenciados em Codó ou fora de seus limites. (MACHADO, 2012).
Ambos os livros estão à disposição de todos os interessados em histórias e estórias de Codó, no momento, o que cabe ao estudo presente, é analisar a parte I. ESSAS HISTÓRIAS do segundo livro, Imaginário codoense, mais precisamente as histórias em que o negro e suas características são mencionadas, entra como personagem na narrativa.
Na parte I. ESSAS HISTÓRIAS tem-se dezoito (16) narrativas são elas:  1. O trem Fantasma; 2. O Lobisomem; 3. O túnel dos Escravos – A Lei de nº 3.353, de 13 de maio de 1888; 4. Maria Rita e o Porto das Serpentes; 5. A pedra Furada; 6. Jamir e Donga; 7. O Navio Fantasma; 8. Dona Teresinha e suas Estórias – Couros Secos; 9. O Prefeito Caçador de Tesouros – O Ladino Nicolau; 10. O Porto do Camundá; 11. O Porto de São Miguel; 12. A menina que o Peixe Engoliu; 13. O banho dos Urubus; 14. O melancólico Terminal de uma Fábrica; 15. Estórias de Zezé da Conceição – O desconhecido – Catirica, Teco e Tenco – A pedra xenxém; 16. O encontro com o Curupira   
As narrativas em destaque, de acordo com o que o estudo se propõem a fazer, são:

I.      O túnel dos Escravos – A Lei de nº 3. 353, de 13 de maio de 1888

A narrativa de o “Túnel dos escravos – A sanção da Lei Áurea” é um exemplo bem típico das técnicas utilizadas nas narrativas inseridas no livro Imaginário codoense. Nela há um misto de ficção com realidade. No início da história, brevemente, o narrador conta a aventura de negros foragidos que se encontram à margem do rio Codozinho, no intuito de abrigarem-se com os índios Guanarés e de desviarem dos faros de cães, tiveram a ideia de cavar um túnel sob o leito do rio e assim fizeram. Conseguiram chegar onde se propuseram a ir, embora fossem procurados por seus donos, nunca foram localizados.
A outra parte da história é mais descritiva na qual salienta-se leis municipais e estaduais coibindo a fuga dos negros. Ressalta-se também a festividade dos negros, suas danças, danças, o que eles denominavam de bate-cola, “convite a dança a outros negros aquilombados”. (Machado, 2012. p.12). Encerra-se a história relatando o dia do sansão da Lei Aurea.

II.    Maria Rita e o Porto das Serpentes

A narrativa trata de duas histórias curtas, como o interesse nesse trabalho é trazer histórias ligadas a cultura negra, será resumida somente a primeira, Maria Rita. Essa conta a história de Dona Maria Francisca, viúva, quebradeira de coco, que encontra no mato, de onde tira seu sustento, uma criança de cinco anos de idade. Imaginando ser enviada por Deus para lhe fazer companhia, levou para casa, deu-lhe um nome, Maria Rita, e a educou. Aos quinze anos a moça era vistosa e cheia de pretendentes. Engravida. Ao sentir as primeiras dores do parto, refugia-se na mata, deu à luz uma criança morta, e falece logo em seguida. Dias depois seu corpo é encontrada. A mãe providencia o sepultamento. O fantástico aparece na narrativa com a personagem Dona Rosa, rezadeira, cumpridora de suas obrigações aos seus santos da mata, essa ouve e ver Maria Rita ninando o filho na queda d’água  do Roncador. Tentou contar o caso a amigas, mas essas descriam da conversa de Dona Rosa.

III.  A pedra Furada

Nessa história é narrada no misto de ficção e realidade o feito da mãe de santo Dona Zefina, rezadeira especialista em mordidas de cobras. Dona Zefina fora chamada para curar um camponês que havia sido picado nos arredores da Rua do mato, onde ficava Pedra Furada, atrapalhando os que ali transitavam. O homem foi curado, houve festa, reza, terços, o terreiro foi iluminado, atabaques esquentados, santos da florestas baixaram.  A rezadeira aproveitou e lançou uma maldição à pedra. Depois dos céus e natureza conspiraram a seu favor, apareceu na terra próxima a pedra Furada um buraco que logo se encheu de água, motivando os moradores a retirarem a pedra do lugar, prolongando dessa forma a rua. Depois de algumas discursões, vence a vontade dos governantes, retira-se a pedra e surge a Rua Paraguai.  

IV.    Jamir e Donga

A história narra a trajetória de Jamir, negra nascido em Mina e comprado aos 8 anos de idade, foi criado na fazenda grande e ao 25 anos de idade obteve sua alforria. Muda-se para Codó começa a trabalhar com carpintaria. Gostava ele de batuques e terecôs. Apaixonou-se por uma portuguesa, Donga. Uma bruxa um dia vira o jovem Jamir banhando no rio Codozinho e jurou que uma de suas filhas casaria com ele. Certo dia a bruxa encontrou Donga a fez lhe acompanhar jogou a moça em águas escuras e lançou-lhe um feitiço, viraria uma asquerosa serpente, que só seria quebrado se essa fosse beijada por um efebo. Depois de muitos dias desaparecida, Donga voltava a forma de mulher a noite para livrar-se da lama, cantava modas tristes, em uma dessas noites Jamir foi até o água fria e surpreendeu Donga, misto de gente e serpente, e beijou-a. O feitiço foi quebrado. Ambos foram pedir proteção a Légua Bogi, aos santos afros, sob o som de atabaque pedindo proteção aos orixás conseguiram paz. E foram felizes no país de origem de Jamir.

V.      O porto do Camundá

A história traz como personagens José e Miguel, ambos vão a uma pescaria a convite do primeiro. Caso o amigo recusasse José iria só, mas o convite foi aceito e partiram. Como o primeiro lugar a irem não lhes rendeu nada, resolveram ir ao porto do Camundá. Lugar normalmente evitado por ser perigoso e famoso em histórias de assombrações. Haja visto o que acontecera a família Camundá, tragados pelas águas e nunca encontrados. Os dois depois de passarem por lugares já conhecidos pelo perigo, começam enfim a pescaria. Linha enganchada, José mergulha para desprende-la, nas profundezas d’água, vê um preto sentado pitando cachimbo. Já à tona, depois que conseguiu recuperar o fôlego fala ao amigo que o preto que fumo, o que é feito imediatamente, corta-se o rolo de fumo e lança-se n’água. A pecaria, depois, flui bem. No dia seguinte eles retornam ás suas esposas felizes e com muitos peixes para elas e vizinhos.
O texto encerra lembrando o caso da família Camundá e as homenagens prestadas a ela: missas, ladainhas, terecôs iluminados, pontos entoados.

VI.    O navio Fantasma

Texto narrado em primeira pessoa discorre sobre a insônia do narrador que ganha a rua na companhia de seu fiel cão Sônia. O interesse em destaca-lo é como o autor descreve o uma das passagens no texto:
Ouvia-se à distância o cantar de “pontos” dos “santos” dos terecôs. Pelas batidas dos atabaques, percebia-se que o terecô estava enfezado, regado a cachaça. Muitas mulatas, negras, “negões” e muitos santos arriados. O senhor da mata do Codó, seu Légua Bogi, não dispensava uma boa pinga. Desce livre e solta pela garganta do seu “cavalo”. (MACHADO, 2012, p.33)




VII.   O porto de São Miguel


A história se passa no povoado de São Miguel, conhecido pelo porto do mesmo nome, João e José saem para uma pescaria, antes ouvem recomendações da noiva de José, Raimundinha, para não irem ao Porto de São Miguel. Ainda assim partem a pecaria. Extasiam-se com a força espiritual do local. Já pronto para pescaria, José é atraído pela imagem de uma bela mulher e sua bela voz em canções de amor que saem de um juazeiro. Ao descer do juazeiro, ela enfeitiça José e o leva em direção ao rio e desaparecem. João depois de despertar do torpor, foi para casa, contou a esposa. Na manhã seguinte relata o fato a noiva do amigo e a outros amigos. Raimundinha, a noiva, sabendo da desgraça que se abateu a José encaminhou-se às águas do porto e igual ao noivo sumiu. O povoado São Miguel, comovido, foi à procura do vigário que sugeriu falar com Bejamé, sabedor de rezas, que por fim achou por bem procurar Luiza Caçote, bate tambores e recebe encantados. Depois de entender a história, se dirigiu a local com os amigos. Lá, fez os trabalhos, rezou, mergulhou, e depois de infindáveis horas traz consigo Raimundinha radiante, José não retornou. Depois das recomendações à Raimundinha para evitar banhos de rios, mar ou simples riacho, convidou a todos a irem a sua casa rezarem em agradecimento aos santos protetores. 


2.4 REFLEXÕES SOBRE O IMAGINÁRIO

As narrativas resumidas acima são fictícias, embora embebidas das conversações do escritor com pessoas da comunidade codoense, são contos, em sua maioria fantásticos, e rápidos (Furini, 2009) que relatam enredos distintos. O ponto de intersecção entre eles são os personagens negros que aparecem.  Das dezoito narrativas (16) que fazem a primeira parte do livro Imaginário codoense, pelo menos 07 (sete) são mencionados traços típicos da cultura negra: comportamento, descrição de seus cultos ou suas festa.
Na primeira narrativa, descrita anteriormente, está presente a astúcia, coragem, a não obediência ao sistema escravocrata. Logo em seguida, na segunda narrativa, tem-se a personagem D. Rosa, rezadeira, comprometida com as obrigações religiosas. Porém, o fator negativo dessa é a desconfiança que a comunidade tem em relação a rezadeira. Na terceira, revela o poder da mãe de santo, D. Zefina, capaz de interferir sobre as coisas vivas e inanimadas e a boa relação que essa tem com a comunidade. Na quarta narrativa, tem-se Jamir um negro de Mina ligado às tradições dos terreiros. Depois desse ser agraciado, agradece a Légua Bogi e os santos afros. Já na quinta narrativa, é mencionados visagens de outro mundo e as festas em homenagem aos mortos em Camundá nos terreiros. No sexto texto, destaca-se as descrições dos pontos dos santos e das festas dos terreiros. Na sétima narrativa, é revelado o prestígio da rezadeira Luiza Caçote e o seu poder em trazer de volta a vida Raimundinha.
O que se percebe é que nas narrativas descrita a cultura do negro, notavelmente ao que se refere aos seus cultos religiosos, o autor destaca-a de maneira positiva, valorizando suas práticas e quem as pratica. Os personagens, de uma maneira geral, praticante dessa fé oriunda dos afros, são revelados com uma boa imagem para os possíveis leitores. A narrativa que se devia um pouco é a segunda que traz D. Rosa, mãe de santo que vê almas, porém não confiável às suas amigas. Mas todas as outras, aqui relatadas, colocam o culto, as festas, os santos orixás, como propiciadores de benfeitorias aos que neles professam a fé.
A partir dessas leitura é possível inferir sobre a visão do autor em relação ao credo dos negros. Na contramão de muitos que desrespeitam a fé alheia, e sobre tudo dos povos negros, perseguidos na sua fé desde muito tempo, como afirma o Artigo 22 da Lei nº 241, de 13 de setembro de 1848 – Código Penal de Codó:
“Toda e qualquer pessoa que se propuser a curar feitiçarias, sendo livre pagará multa de vinte mil reis, e sofrerá oito dias de prisão, e sendo escravo haverá somente lugar a multa que será paga pelo senhor do escravo” (FERRETI,2001. P.35)
Os tempos passaram, a Lei acima caducou, mas o preconceito às práticas religiosas dos negros, seus festins e costumes persiste. Por isso, livros que enaltecem, e nas entrelinhas ou diretamente, exigem respeito às crenças dos povos são bem vindos e podem fazer a diferença em sociedades ainda carente de respeitos entre seus pares. 



3   CONCLUSÃO
Depois da leitura dos textos delineados para construção do artigo, à luz de uma fundamentação teórica substancial, o que se pode concluir é que os textos inclusos na I parte do livro Imaginário codoense do escritor João Batista Machado é que a ficção de machado conspira para uma leitura esclarecida sobre os cultos religiosos dos negros.
Se a literatura tem o poder realmente transformador daqueles que dela se aproxima, certamente os leitores da escrita machadiana de expressão maranhense se deleitarão e se sentirão tocados a respeitarem as diferentes manifestações culturais, sobretudo, as dos componentes da cultura afro, e/ou afro-brasileira, no que diz respeito as manifestações religiosas.  
O que se sabe é que o preconceito nunca vai acabar, pois a ignorância sempre persiste e renova-se com olhos e cada vez mais brilhantes, mas aqueles que buscam o conhecimento podem livrar-se dessa doença da humanidade. A literatura, a arte, a ciência são caminhos a percorrer e nessas três estradas é possível encontrar os escritos de João Batista Machado.
Portanto, a leitura desse “Imaginário codoense”, aqui apontado nesse artigo, como seu outro livro “Codó, histórias do fundo do baú”, levam a pontos comuns, o respeito às culturas, às manifestações religiosas, festas e expressões do povo negro. Existem outros elementos que podem ser tratados em outros estudos.
REFERÊNCIAS

MACHADO, João Batista. Codó, histórias do fundo do baú. Codó: Fact/Uema,1999.
MACHADO, João Batista. O imaginário codoense. Codó: Nova Expansão Gráfica, 2012.
FERRETTI, Mundicarmo. “Encantaria de Barba Soeira” :Codó, capital da magia negra?.São Paulo: Siciliano, 2001.
ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto:1988
CAMARGO, Soraia Haack et al. A arte produzindo transformação e humanização. Dispo nível  em: <www.univel.br/sites/default/.../arte_produzindo_transformacao _e_humanizacao    .pdf >. Acesso em março 2018.
SARTESCHIL, Rosangela. Caminhos da Resistência Literária em Seis Poetas Negros Contemporâneos Brasileiros. Disponível em: < www.revistas.usp.br./viaatlantica/aticle/view/
99824> acesso em março 2018.
SILVA, Clécia Assunção. A Literatura Maranhense como fonte no Ensino de História e Literatura Afro-Brasileira: análise e propostas didáticas sobre “Os Tambores de São Luís” de Josué Montello. 149 f. Dissertação (Mestrado) – História, Ensino e Narrativa Universidade estadual do Maranhão, 2017.
ZILBERMAN, Regina.O papel da literatura na escola. Disponivel em < http://www. Revis tas.usp.br/viaatlantica/article/view/50376/54486> acesso em março de 2018.

FIRMINA, Maria dos Reis. Ursula. San Luíz: Tipografia Progresso, 1859.