quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Meu coração é de velho
Esquece até dos próprios cuidados
Agita-se por nada, transgride a respiração
Põe o corpo em suspeição e o amigos
                       dele avisados.
Sei que jovem irei morrer
O coração talvez pare primeiro
Será o dianteiro a sentir o que é não mais
Está aqui.
Será que esse coração irá levar em algum lugar
No seu oco espaço ou nos seus átrios
E ventrículos nomes, íris ou eflúvios de
Amores que lhe fez tanto a vida bombear?
Agora o Preferido de Saturno é o que faz
C a m i n h a r
Não há aqui mentiras tantas
Que o espirito santo pragueje e Deus lance
O veredito fatal
Há cama, calma e alma.  
Lança meu velho coração seus jatos de sangue
às velhas veias a dentro pelo corpo
Mantem-o de pé, mesmo esse em plena dor
insistindo em viver pelo viés do amor
até quando mais nada eu for. 

Valdemir Guimaraes

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