quarta-feira, 11 de julho de 2018

Qual o dia que se abre bonito em dia de chuva
os pingos pingando pelos beirais das telhas
ainda vermelhas do barro cozido
ou ainda o clarão do sol que abriu-se ante
a antipatia de transeuntes, seguindo sem rumo
pelas ruas, vias ou becos
que é assim que se chama por aqui
inflama assim tua beleza em repouso na minha cama.
Depois do coito, as pernas inda trêmulas
O corpo exausto da entrega sem medida
Miro você mais uma vez.
São os mesmos dedos da mão que tomou tua vagem
depois da viagem de sal e suor que agora alisa teus seios,
sem rodeios, enlaço teu colo, colando teu rosto ao meu
e num beijo ainda em desejo vejo que o amor
também se faz assim
eu vetusto vivendo cada minuto do fim
e você púbere fazendo-se em flor
rebentando em cor meu turvo  jardim.

Valdemir Guimarães 

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