sábado, 22 de julho de 2017

O que me importa nesse mundo
Descampado de sabores amor e fé
Onde a natura já inaugura outro
ciclo certo de pranto e dor
são escuras as ruas que se avizinham
são de noites as manhãs sem seda e vãs
é um tempo obliquo que estende
já não vejo, é infinito  o tapete ao  abismo.

Valdemir Guimarães


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Teu corpo solta-se
Voa feito as pipas de tua rua
Em ondas no ar, as pipas nas alturas
Teu corpo em ondas, contorno da cintura.
Teu pai te olha, tua mãe se lembra
Antes era a sua menina, agora, ora, ora
A adolescência volta e molha de vermelho
a memória da mãe saudosa
os seus cuidados, o trato no cabelo ... outros zelos.
Se não me engano agora outro olho te procura
Pela rua vazia, na volta da escola
Longe de casa ou no bairro onde mora
Adolesce pela vida e há tanto a conhecer
Geografia, números,literatura, poesia .... fé
É o caminho que se segue depois será só você, mulher.


Valdemir Guimarães 
Teu riso é teu rosto
Tudo que enfim clareou o quarto
Em que eu estava há dias sem sair sequer na rua
Não me olhava no espelho
Não via crescer meus pelos e nem banho tomava.
Ela está aqui e não me vê como antes
Não percebe o percebível
Que estou a um metro do precipício
Ou volto a mim ou entro no hospício.
Mas teu riso, enfim, iluminou minha tarde sombria
Invadiu minha sentinela, subiu na minha cama
Olhou no meu rosto e viu em mim outro ser que eu era.

Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Quando olho no teu olho
Vejo de pronto, de soslaio, no teu horto, outro
Me dispo, me dano, me engano e  saio
Da sala, do quarto e vou pra rua sem ter ido.
De olho pra lua que é minguante
Respiro e entendo que antes e sempre teu amor
Me fora divido.
Não nos temos por inteiro, senão, fracionados
Pela metade, como na queda da moeda,
Só se pede um dos dois lados.  
Um lado é meu e o outro de teu amado.
Teus ais e os meus são para ninguém ouvir
É um amor silente, calado.
Feito à noite quando todos já dormem
Nem mesmo sabem as sombras dos nossos corpos
que, quando suados, se veem sem por si darem-se por amados.  


Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Céu, não de estanho, mas estranho
Tempo difícil de si distinguir
O cidadão do mal ladrão
Ruas vazias, opacas pessoas, inda sim, sigo
De mãos vazias e sozinho
Não há vento no meu rosto caminhando para agosto
Ou canção que embale meu coração.
Meus heróis estão presos ou são suspeitos de corrupção
Até deus parece que deu adeus a sua cidade
agora desgenerosa.
Tempos difíceis esses sem referencial
Sem da musa um sorriso, um olhar, qualquer sinal.
Amigos meus, ainda assim, como se eu fizesse uma prece,
Humildemente, lhes peço: andemos
Antes, é claro, demo-nos as mãos.
Não haverá poesia, mesmo que medíocre,
Pois os tempos são difíceis,
ou esperança de uma possível alegria, um aventurado gozo,
Se uns contra outros debatermo-nos, lutarmos.

O tempo é de noite sem fim, estejamos juntos
Próximos do fogo, andemos
a vida é de luta
...daqui eu já ouço o clarim.

Valdemir Guimarães




terça-feira, 4 de julho de 2017

Descortina


Não há cor que não se dobre ao riso teu...
No simples gesto como o de tomar um café
Da carteira de cigarros furtar mais unzinho
E de repente, um céu de nuvens dispersas
em desenhos esquisitos  se formou
como se fosse eu e não você quem fumou...
Há muito mais que beleza por traz do trago,
Da xícara do chá por tomar, da foto, do post do perfil...
sei lá, são mil coisas...melhor não descortinar!


                        Valdemir Guimarães 

enilaka

Afirma-me a medicina
Ser isso que agora envolve e solve
a boca minha uma simples Semimucosa.
Nela repousas o cigarro em intervalos regulares.
Depois, o copo a toca, o vinho dar-lhe cor
ou os dedos acham casa, quando aflita
ou curiosa.
Se excitada, deixa escorrer filetes de saliva
umedece-a ... brilha.
Abre tua concha e me deixa entre morto e pronto
Acordes em lá, cio de madrugada
Sugo teus lábios e mais nada.

Valdemir Guimaraes



Teus seios murcharam, trocaram ofensas
Não se olham mais na cara.
Tuas mamas mesmo caíram
Cansaram-se de orgulho e sutiãs.
O teu umbigo neste instante guarda intrigas
Instiga uma doçura irritante.
Não ouso se quer ver teu ventre
Dele não falo mais, não o adentro
Não há falo que seja capaz
Teu corpo, meu amor, morreu pra mim
Velei-o e um dia comum, muito sol
Flores no campo, amores, ardores e noticias ruins.

Valdemir Guimarães