sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Sei que aos poucos, com os dias, vou morrendo
Meu vindouro endereço, reconheço com o andar dos passos dados,
dos anos
O meu corpo se distancia cada vez mais de mim
Não me responde bem o coração, o baço, o rim
Mas a vontade, a alegria e o amor são os mesmos
a esmo travam uma pugna diária
nessa história inda sem fim.

Valdemir Guimarães  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Poeminha para Jo


eu mentiria se dissesse algum dia desses que te conheço de palma e alma.
Isso não é novidade
Até essa idade não sei se alguém, algum dia, conheceu ou foi reconhecido assim.
Mas o que para mim importa nessa jornada
é que descobri em você um quê
Um ar de quem quer e vai além da brisa leve
                          que nos dar o mar
Um aroma que só sente quem sente
ou já viu o amor em Roma
Um estalar de moça cheirando a moça
onde a vida se constrói, reconstrói e se edifica,
enquanto aqui em baixo a indefinição do que se é ou busca inda grita.
Felicidade é tua bandeira, tua flama e cama
Não caberia a outra pessoa esse verso que agora ressoa
Como se não houvesse na vida outro sentimento que traduzisse essa tua imensa vontade de ir, seguir nessa estrada amarela caqui.  
Até ouso dizer que o amor, de uma vez, fez casa aí.

Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012











Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares
(Rio de janeiro, 15 de dezembro de 1907 - Rio de Janeiro 05 de dezembro de 2012)

O museu Oscar Niemeyer fica em Coritiba capital do Paraná
Mas ele já é mais do mundo do que de qualquer estado.
Olhando o museu, meu amor
Vejo nele tanto dos olhos que Deus te deu.

Valdemir Guimarães  

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

You, air, lane,my fall, Brunette


 


















Como pode, você por mim passar,
balancear os negros cabelos e nem me ver
E eu cá sofrendo, estando os olhos a arder
as unhas roer e o coração mais forte pulsar

Como pode, morena, em mim abrasar  
tanta vontade, tanta sede de tua boca tocar
para ti, sem arrodeios, meu universo mostrar
no entanto, minhas mãos em febre e frio oscilam e você nem lá.

Se pudesse eu em teus olhos e afetos mandar
Mandaria-os mesmo que por um instantinho só
Aqui aos meus, apegos e ternurinhas, fizesse-se nó
Assim sentiria você um pouquinho do muito que tenho a lhe dar

Morena, reduz a minha pena...
Dá-me cá o néctar da boca tua
Antes da dúvida noite, façamo-nos amantes
E eu, por fim, enfim, serei, hoje, na tua rua
só teu e para sempre no infinito desse instante.
    
Valdemir Guimarães

quinta-feira, 29 de novembro de 2012












"O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.”


Oswald de Andrade   

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Pretobrás


(Itamar Assumpção, Tietê, 13 de setembro de 1949 – São Paulo, 12 de Junho de 2003)

“Se a obra é a soma das penas
Pago, mas quero meu troco em poemas”

Itamar Assumpção e Alice Ruiz 





terça-feira, 20 de novembro de 2012


É nesses dias de tristeza desmedida
Que me lembro de Gullar
Do seu poema Alegria
E que vontade me dá de jogar a tristeza numa vala!

E me lembro de Bandeira
Da Oração a Teresinha do Menino Jesus
“Me dá alegria!”
Mas não há mais tempo de acreditar
pois é tarde.
O sol, lá em cima, não se move
e me comove a um pranto íntimo
um  ai sem fim, sem fim
reinventando-se estranhamente dentro de mim.
     
Valdemir Guimarães 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Poeminha de aniversário


Se é perigoso a gente ser feliz, como Chico na canção Beatriz diz
Eu não sei, o que sei é que não é fácil.
Como não é fácil nascer, discorrer pela infância, oscilando entre
servidão, prazer e sofreguidão.
Percorrer esse caminho cíclico do tempo
Que nos dar e nos tira como se fosse ira do viver e morrer não é fácil.
Mas quem disse que é bom amar o fácil?
O que se encontra aos nossos pés, a sorte da mão, assim no chão
A quem achou, sei, poupo-lhe a árdua ventura do encontro.
Mas, por outro lado, vindo o fruto mastigado
também vem furtado o melhor do gosto
E o prazer afável da degustação na boca fica sem razão 
Reitero,a vida é de luta
É lapidar a pedra bruta
É mirar o longe e ir ao encontro mesmo que seja de bonde
Aos olhos de quem te quer ou quis do que lhe faça melhor e feliz.

Valdemir Guimarães

Á filha de Vanessa

Sempre que posso e consigo cometo uns versinhos para amigos próximos, ou então alunos, quando me pedem, isso em véspera de aniversário, algo que acho muito singelo. Fiz esses versos abaixo para a filha de uma amiga meio irmã, Vanessa. 



Enoane

Enoane, convenhamos, teu nome pode não ser essas coisas
mas te imagino a menina mais bela do mundo, neste instante
logo,muito bonita tua mãe é
se veio você daquela flor deve então ter herdado dela
a sorte de ser bela,uma aquarela
Seja bem vinda ao mundo
Aqui nem tudo são flores
No entanto, a quem nela bem navega
Excede-lhes horrores de amores.
                                 
                                                           Valdemir Guimarães

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ego rock



(Joplin morreu em 4 de outubro de 1970, na cidade de Los Angeles, Califórnia, aos 27 anos de idade.)

Se eu pudesse beber agora, beberia.
Me comove ouvir tua voz rouca e alucinada
um gesto fosco, quase nada e reconstrói minha fúria adormecida.
Mesmo sem entender uma palavra tua,
Desejo, Joplin, alucinadamente a mulher nua.
São tuas as onomatopeias, veias, telas e telhados que construo em torno de mim.

           Valdemir Guimarães   



terça-feira, 11 de setembro de 2012


Antes mesmo de tua ida misteriosa
sentia eu tua ausência ociosa que vinha e ia
meu corpo, moça, está intimamente ligado ao teu
como a luz e o breu
que não se unem e sozinhos não existem.

 Valdemir Guimarães

quarta-feira, 29 de agosto de 2012


O texto que aí vai não é meu. Poderia até ser pelo fato da identificação, talvez com o “ser burro”, não sei, mas sei que é, antes de tudo, pela a linguagem e poeticidade de Domingos de Oliveira, poeta, diretor, dramaturgo, ator e pessoa a qual gosto muito. O texto não estava assim escrito em lugar nenhum, pelo menos eu não o vi e nem o encontrei. Eu ouvi o próprio Domingos lendo, ou declamando, para ser mais poético. Como se assim fosse um ditado, transcrevi, de tal feita que, aos poucos que visualizam esta página, peço: perdoe-me as possíveis falhas, não sou bom de ouvidos. Como já disse, o texto não é meu, capturei-o do blog de Domingos Oliveira. Estava lá,“Pensamento 2”, ouvi e resolvi postar aqui por parecer bom e já público. Espero que gostem da ironia fina, da poesia como embrulho de bombons e da crítica que contorna todo o pensamento do autor. Boa leitura!  





Pensamento 2

A sociedade é constituída quase completamente por burros. Não me leve a mal, claro que há médicos inteligentes, mas alguém duvida que a maioria dos médicos seja burra? Convenhamos, os médicos são burros de um modo geral. Os advogados, a maioria, a grande  maioria, é burra. Os políticos, por exemplo,... é melhor nem falar no assunto. Não vai nenhuma agressividade, nenhuma, é apenas uma constatação.
Em todo grupo, comunidade, agrupamento, a maioria é burra. A burrice é o contorno do desenho, a liga mestra do edifício. As pessoas são burras, muito burras. É rara a inteligência, essa capacidade de associar contextos distantes. Quando eu era menino, achava que todos eram inteligentes, isso era uma burrice minha. As pessoas não são, as pessoas são muito burras e isso é um fato da vida, esse é um fato da vida da qual nós devemos nos reconciliar, senão não poderemos viver adequadamente na sociedade. As pessoas são inacreditáveis, inimaginavelmente burras. É importantíssimo e urgente afirmar que não vai aqui nenhum julgamento moral: os inteligentes não são melhores que os burros, absolutamente, não são. Nem merecem mais, claro. Os burros também são merecedores de paixão. A propósito, todo homem inteligente tem por obrigação perceber o esplendouro do outro. Todo homem é esplêndido, burro ou inteligente. Todo homem é esplendido, todo homem contém o universo. Uma das primeiras obrigações da inteligência é reconhecer esse fato simples e básico. Não se trata de um julgamento moral. Escusado igualmente observar que a inteligência não tem nada a ver com a cultura, ou com o nível de informação de cada um. Pelo contrário, em terrenos cultos, de modo geral, é encontrado um índice de burrice estonteante. É o tipo tão conhecido que entende de tudo, tão comum na nossa sociedade, entende de tudo, menos daquilo que é humano. Em contra partida, verifica-se que a ignorância e a pobreza têm constituído um campo fértil para o aparecimento das grandes almas. A propósito, alma é sinônimo de inteligência.
É difícil conceituar a inteligência, porém é fácil reconhecer-lhes alguns atributos. O primeiro deles é, sem dúvida, a humildade. A humildade é sinônimo de inteligência. “O homem sábio sabe que não sabe”. Ao passo que o burro é arrogante. Considera-se possuidor de algum saber e consequentemente superior aos outros burros que sabem menos.
Atenção, o burro é competitivo e ele é perigoso. Ele compete, ele julga, ele condena e muitas vezes ele mata. No entanto, com a inteligência, acontece exatamente o contrário: a despeito de si mesma, ela ama. Mozart disse que pra ser um gênio não basta ter talento nem inteligência, é preciso ter também um grande amor. A propósito, amor é sinônimo de inteligência. O burro não ama.
Quem é inteligente sabe que é inteligente, não precisa lhe dizer, sabe que é. Já o burro desconhece sua burrice. Isso seria um drama se não fosse uma tragédia. Posto que o burro no fundo do seu ignorado esplendor sente que lhe falta algo, algo que o inteligente possui e nesse momento advém soberana a inveja, a inveja dos burros. Como se não bastasse ser diferente, o burro passa a odiar o inteligente. No entanto, com a inteligência acontece justo o contrário: ela sempre se reconhece. O homem inteligente não inveja e sim se compraz, exulta quando ver brilhar uma inteligência igual ou maior que a dele. Orienta todos os seus esforços no sentido de uma aproximação amorosa que lhe permita desfrutar um pouco daquela luz do outro.
Os inteligentes, além de ter entre si um grande amor, uma grande admiração, eles se plajeiam constantemente sem pudor. Eles não tentam ser originais, eles sabem que eles são um só, um só acidente da natureza, ou terá sido um recurso de emergência do qual a natureza lançou mão pra cuidar da sobrevivência da espécie antes que os burros a destruam?   
Concluindo, a imprensa é burra, a TV é burra, o esporte é burro, a política é burra, quase tudo que é considerada importante na sociedade atual, não é apenas desimportante, como é burra, trata-se do império da burrice como outrora foi o império romano.                                                                                            
              (Domingos de Oliveira)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


18 de agosto

Pode até não ser virtude sempre
Pois os instantes vão passando e os costumes enveredando e tomando rumos diferentes
Ao ponto de se atribuir ao que era belo e inocente, antes,
Agora ser feio e indecente.
Mas tua maneira incrível de ser exata, bela e fina
Ainda, a retinas comuns, claras, ou e talvez escuras, é um fruto bom e plausível.

Não sei por qual estrada você se leva
ou o que avista os teus olhos de menina
Se há um Deus que te dar ou te nega
Se santo ou entidade te ilumina
Se viu nesse andar tristeza e maldade  
Ou se o amor contigo se afina
Só sei, amiga minha, e isso você sabe também
Pois é professora nesse mundo de ninguém
Que a vida é isso e mais nada
e que quem faz amigo encontra abrigo da chuva que se aproxima

a ti desejam eu e teus amigos próximos só o que há de mais belo e singelo
Que o amor, incompreendido e desejável(espinho, pedra e flor)
no teu colo faça casa e traga consigo o frescor de manhãs e maçãs a quem lhe é bem merecedor.
   
            Valdemir Guimaraes 
                      



                                  



quarta-feira, 15 de agosto de 2012


JUSTIFICATIVA PARA O I SARAU DO CEJA LÚCIA BAYMA
Um centenário em prosa e canto

Não é novidade falar-se em projetos escolares sobre a importância da leitura no grupo escolar e na comunidade, como também não é nova a postura de em projetos se exaltarem a importância de uma ou outra autoridade do mundo das letras. A ideia não é nova, mas é de se louvar a iniciativa presente. Isso por que a leitura de textos literários não é tão comum assim na comunidade em que esse projeto se insere e, também, por que não é sempre, na verdade, é uma oportunidade única, que se têm ícones da literatura e da musica nacional e regional, Jorge Amado, Nelson Rodrigues e Luís Gonzaga, festejados nacionalmente pelo seu centenário. Centenário, aqui, deve-se entender como tempo de vida que esses homenageados fariam se estivessem vivos, completariam todos cem anos neste ano de 2012. O instante se faz mais que propício para se conhecer e reconhecer traços estilísticos que fazem desses homens especiais na cultura que a descrevem e fazem parte.
Em meio a comemorações, festas e festins, está a necessidade de se deparar com formas de expressões inovadoras, desafiadoras e contemporâneas advindas dos renomes em questão.
Jorge Amado, autor mais adaptado pela televisão brasileira e também o que mais vendeu livro, excluindo Paulo Coelho, segundo o site Wikipédia, é, talvez, um dos mais carismáticos pela sua postura simples e popular. A linguagem baiana e brasileira, a construção dos seus personagens embebidos de brasilidades e a maneira nem sempre sutil, mas, sobre tudo, enfática de questionar o desmantelo dessa nação, por isso, e outras características plausíveis fazem deste homem digno de ser lido, relido e celebrado em um Sarau escolar.   
Nelson Rodrigues, dentre os três escolhidos, talvez seja o mais desconhecido, isso por sua literatura enveredar pelo inconsciente humano, pela alma e por tratar de temas não muito discutidos a luz redentora de qualquer pecado ou preconceito na sociedade. Mostrar traços desumanos, sentimentos não muito nobres sem tal personagem incorporar a mascara de vilão não é nada fácil de aceitar por quem o ler ou mesmo de retratar. E Nelson Rodrigues conseguiu bem isso, teatrou, como ninguém, flagrantes da tragédia humana e brasileira de forma incisiva e bela e também terna, “hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”.
Luis Gonzaga, uma bíblia nordestina, devia esse ser mais que aplaudido em escolas, em Saraus, festas regionais, chás e outros eventos, não pelo fato de se destacar com letrado, intelectual sisudo e pragmático, mas antes de tudo, “porque ele é que fala gostoso o português o Brasil ao passo em que nós o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada”. Por ser ele o nordestino que mais emplacou a linguagem, as alegrias e dores de seus conterrâneos espalhados por todo o Brasil.
Portanto é justo e necessário pensar nesse “Sarau”, além de tudo seria uma forma singela de se homenagear, conhecer e fazer a comunidade se despertar por esses caracteres que só enobrecem o fato de ser brasileiro e nordestino, pois todos os homenageados vêm da mesma safra: pernambucana, Luis Gonzaga e Nelson Rodrigues; Baiana, Jorge Amado, ou seja, o nordestino se fez em alta nesse Brasil de Deus nosso.
             Valdemir Guimarães

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quando o amor acaba
O vidro embaça
O copo racha
O filme abala
E o céu desaba
No entanto, findo o pranto, a vida segue silente e constante
Até o renovar, como dantes, do sonho de amar...  

   Valdemir Guimarães

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


MEU CORAÇÃO TEM UM SERENO JEITO

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto.
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado eu mesmo me contesto.
Se trago as mãos distantes do meu peito,
É que há distância entre intenção e gesto.
E se meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa,
Mas o meu peito se desabotoa.
E se a sentença se anuncia bruta,
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa.


Ruy Guerra

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

João chegou do serviço cansado:


- Muié, tô cum a fome da gota. Bota o meu.
- Meu bem, num vai nem banhá? Falou a cuidadosa esposa.
- Banho dispois.
Mesmo contrariada, ela pôs o almoço para o esposo. 
Ele, depois de saciado, arrotou e disse:
- Cumidinha boa, muié, né? Comi feito um animá.
Ela que o espiava comendo feito um porco disse:
- Foi feito pra gente, mas animá também come.
E ambos riram. 
       
                      Valdemir Guimarães

terça-feira, 31 de julho de 2012


Já no final de minhas férias, apareceu em minha casa, a tarde, prenúncio de um cafezinho, James Brito( à direita de quem ver) e Gomes Brasil. Depois de um bom papo e de falarem eles de suas possíveis idas a ilha, São Luis do maranhão, concordaram em deixar gravada essa música para mim. Resolvi postá-la no blog . Bom presente de férias. É sempre um prazer em ouvi-los.   

domingo, 22 de julho de 2012

















Tá doido ou tá massa?


“Tá doido ou tá massa?” é o  trabalho atual do piauiense James Brito. Há alguns anos que esse músico tresloucado de nascença pernoita a cidade de Teresina-Pi, seu reduto oficial, e outras cidades desse Brasil entoando seu canto e seu jingle peculiar “tá doido ou tá massa?”.
O CD “Tá doido ou tá massa?” é especial e não há um que diga o contrário. Seu labor tem cheiro de pão caseiro, brotado de uma massa finíssima, resultado do esforço individual de cada um que se dedicou a fazê-lo.
O som do trabalho é tudo. O ska, reggae, rock e rapper em ebulição arrebentam em meio às batidas fortes e certas de João Cabeça (quiçá melhor baterista de Teresina). Quase todas as canções (talvez não seja o melhor termo) do cd são assinadas por James Brito, exceto a faixa 7, 9 e 10. As duas primeiras têm a letra foi feita por um sobrinho de James, Kaê Brito. A última é do cantor e compositor Jorjão, músico teresinense e também professor de Filosofia que nessa terrinha quente feito pimenta arrebenta.    
Se você, caro leitor, ainda não ouviu esse trabalho, ouça-o, procure-o e confira a sua sonoridade idiossincrática, veja também o passeio pela cidade em transformação na qual ele foi concebido.... Tá massa e tá doido.       
                                            
                 Valdemir Guimarães

terça-feira, 10 de julho de 2012















O seu olhar é esperto e inquieto
Tudo que se move o comove
Tudo lhe é novidade
            uma tosse, um pigarro...
Mesmo a mesmice de um aceno lento e curvo
lhe é poesia ao seu olhar meigo escuro

Ele tem quatro patas, o grande
Por isso não se espante ao ver aparecer no fantástico um gato gaiato dizendo-se poeta dos ratos
seu verso é travesso e certo
teceu-me um desses dias isso com risos, gestos, unhas e afetos
“ ame-me, ou espeto-o”

                       Valdemir Guimarães

quarta-feira, 4 de julho de 2012

As novas tecnologias





Quando minha filha chegou da cidade grande e trouxe consigo aquele negócio pequeno e que, segundo ela e o vendedor, cabia o mundo nele, quase que cai pra traz. Que coisa! Ela disse que era a nova tecnologia de informação e comunicação (TICs). Podia ser que até não prestasse, mas o nome era impressionante: Nova tecnologia de informação e comunicação.
Minha velha servia o almoço. Fiquei vendo minha filha, falando importante, sotaque de terra distante e manuseando o aparelho chamado celular, aparelho que servia pra se comunicar com pessoas distantes, igual a outros que já tinha visto por aqui,  cidade distante das chuvas e do mundo, mas só que aquele não fazia só isso não, aprendera com a cidade grande a deixar nossa voz nele, e também a imagem da gente, além de ela, minha filha, não parar de mandar mensagens para não sei quem, SMS, disse. Namorando à distancia e repetiu: Nova tecnologia de informação e comunicação. Pensei, é safadeza.
 Nesse momento minha barriga gritou mais alto: velha necessidade, o mesmo hábito de comunicação. Embora quisesse falar com o namorado de longe, minha filha se rendeu ao antigo cheiro de feijãozinho com arroz que sua mãe sempre lhe fazia quando aqui morava com a gente. Quis ela registrar o momento, bateu foto de todos, dos cinco irmãos mais novos, da mesa, dos pratos; filmou tudo com o danado do celular, disse isso rindo, mas riu mais ainda quando lhe perguntei se ela ia mostrar o cheiro da comida para suas amigas de longe, lá quando chegasse à capital.      
                 
                                Valdemir Guimarães 

terça-feira, 3 de julho de 2012













Pensei em postar pra você um poema bem sacana
Qual o cara que mal te olha
e te chama em seguida pra cama
Mas minha alma hoje está tão zen
Amando  o ar, árvores, bichos  e
              ah, você: ninguém.


          (Valdemir Guimarães)

domingo, 24 de junho de 2012

Dia de Seu João



João Batista Machado é o escritor de “Histórias do fundo do baú” e o mais recente “Imaginário codoense”. É codoense, octogenário, um homem culto, fino e generoso. Faz ele mais um ano hoje, 24  de junho. Parabéns, vida longa, meu amigo, saúde e um afetuoso abraço.       

Detrás do Rosto

Acho que mais me imagino
do que sou
ou o que sou não cabe
no que consigo ser
            e apenas arde
detrás desta máscara morena
que já foi rosto de menino.


Conduzo
sob minha pele
uma fogueira de um metro e setenta de altura.


Não quero assustar ninguém.
Mas se todos se escondem no sorriso
            na palavra medida
devo dizer 
que o poeta gullar é uma criança
             que não consegue morrer
e que pode
a qualquer  momento
desintegrar-se em soluços.


Você vai rir se lhe disser
que estou cheio de flor e passarinho
que nada
do que amei na vida acabou;
            e mal consigo andar
            tanto isso pesa.
Pode você calcular quantas toneladas de luz
            comporta 
            um simples roçar de mãos?
            ou o doce penetrar
            na mulher amorosa?


Só disponho do meu corpo
para operar o milagre
            esse milagre
            que a vida traz
                e zás
                dissipa às gargalhadas.


(Gullar, Ferreira. Toda poesia reunida.Rio de Janeiro. José Olympo, 2004. 12ª ed. p. 370)


    

sábado, 23 de junho de 2012

Boa Pessoa





“A banda mais bonita da cidade” faz parte do novo quadro musical, produzindo MPB. É de Curitiba, já tem gravado um CD e segue na estrada. Além da canção mais conhecida da banda “Oração”, há outras e outras tão belas e singelas como esta: "Boa Pessoa". Vale à pena procurar e escutar...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Desígnios de Deus


Se deu conta de que havia morrido quando se deparou defronte da seguinte inscrição: INFERNO...
NA porta, havia um senhor com jeito de quem havia bebido, além de um diabinho de rosto avermelhado e dois chifres salientes em sua testa, um para cada lado da face. Admirado ele exclamou intimamente: Meu Deus!”
- Isso é o inferno?
- sim.
Sem acreditar, continuou.
- Mas por que eu vim pra cá?
- E eu sei?
- Sempre fui bom homem. Não bebia, não fumava, não cheirava, não desejava a mulher do próximo. Tive poucas amantes, na verdade, duas, isso inclui a minha atual esposa, ou ex-esposa, sei lá. Me diga, por que estou aqui? Eu, comparado com outros homens...era um santo!
Diabinho:
- Quem sabe dos desígnios Dele? Vai ver Ele não quer concorrência. Agora entre!  
                                           
                                                      Valdemir Guimarães


terça-feira, 12 de junho de 2012

Um Chá, literatura e o mestre Machado de Assis









Na escola Lúcia Bayma, antigo Supletivo, município Codó-MA, na noite do dia 02 de junho, serviu-se o primeiro Chá Literário. O evento foi organizado pelos professores do turno noturno da escola, tinha como coordenadora a Prof. Meire, os docentes formados por Vera, Barroso e Aparecida, Regina, Arina, Clovemilton, Lucilene, Lúcia (diretora ajunta noturno) e  Erismar (diretora) e mitzy (diretora adjunta diurno), colaboraram coesos em prol de uma noite agradável.
O Homenageado nesse evento foi escritor Machado de Assis. Melhor escolha para o primeiro Chá Literário na poderia ser, afinal mestre é mestre. E ele foi muito isso. Destacou-se em vários gêneros literários: romance, conto, crônica, tetro, crítica, além da poesia. Sua ironia fina e o seu pessimismo mordaz dissecam toda sociedade brasileira revelando-nos em alma e palma. Como já dito, ele é o mestre.
Além de professores de outros turnos, alunos, pais convidados, deu cor e prumo ao evento, também, o escritor João Batista Machado. Felicitou a todos com suas palavras simples, calmas e sempre memoriais. Alunos do vespertino( Saratiel, Silvana e Kevison), sob a direção do Prof. Valdemir,  celebraram o evento, interpretando um texto de Rubem Braga (Entrevista), na qual Machado de Assis concede uma entrevista depois de morto. A música, não há noite sem musa, ficou com o Valdemir (professor da casa, do vespertino). Seu repertório lembrou o compositor de Cachoeiro do Itapemirim, Sergio Sampaio. Alunos do EJAI declamaram poemas de machado de Assis, encenaram peça, cantaram, fizeram o chá mais quente.
Dizer que o evento foi apenas bom é ser muito simples e talvez diminuto.  Adjetivá-lo, apenas, é prendê-lo em palavras pequenas e ele foi grande, muito além do esperado, excedeu as expectativas.  Diante disso, não é atrevimento pensar que outros e mais outros Chás virão, o que fica é o anseio de não se demorar tanto.
                                                             Valdemir Guimarães

segunda-feira, 28 de maio de 2012


                                                                                                                                                                                
  









Um caso de amor
                               a Elias

Compadres, á beira do riacho, um cigarro de palha e o velho diálogo: 
- Ainda tem uns que não acredita que de amor se morre! Pois eu já vi, quando não morto, enlouquecido.
- Foi isso que aconteceu ao teu irmão, Elias?
- Sim. Isso, o amor. Amou demais uma dita Luzia. Perdeu a luz da razão e vive assim, louco de noite e de dia.
- É , compadre, o que sempre digo: amor  inda que pouco, é preciso sorvê-lo com cuidados! Ou então o cabra vive mal uns bocado.
      
                                    (Valdemir Guimarães)