quarta-feira, 4 de julho de 2012

As novas tecnologias





Quando minha filha chegou da cidade grande e trouxe consigo aquele negócio pequeno e que, segundo ela e o vendedor, cabia o mundo nele, quase que cai pra traz. Que coisa! Ela disse que era a nova tecnologia de informação e comunicação (TICs). Podia ser que até não prestasse, mas o nome era impressionante: Nova tecnologia de informação e comunicação.
Minha velha servia o almoço. Fiquei vendo minha filha, falando importante, sotaque de terra distante e manuseando o aparelho chamado celular, aparelho que servia pra se comunicar com pessoas distantes, igual a outros que já tinha visto por aqui,  cidade distante das chuvas e do mundo, mas só que aquele não fazia só isso não, aprendera com a cidade grande a deixar nossa voz nele, e também a imagem da gente, além de ela, minha filha, não parar de mandar mensagens para não sei quem, SMS, disse. Namorando à distancia e repetiu: Nova tecnologia de informação e comunicação. Pensei, é safadeza.
 Nesse momento minha barriga gritou mais alto: velha necessidade, o mesmo hábito de comunicação. Embora quisesse falar com o namorado de longe, minha filha se rendeu ao antigo cheiro de feijãozinho com arroz que sua mãe sempre lhe fazia quando aqui morava com a gente. Quis ela registrar o momento, bateu foto de todos, dos cinco irmãos mais novos, da mesa, dos pratos; filmou tudo com o danado do celular, disse isso rindo, mas riu mais ainda quando lhe perguntei se ela ia mostrar o cheiro da comida para suas amigas de longe, lá quando chegasse à capital.      
                 
                                Valdemir Guimarães 

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