Quando minha filha chegou da cidade
grande e trouxe consigo aquele negócio pequeno e que, segundo ela e o vendedor,
cabia o mundo nele, quase que cai pra traz. Que coisa! Ela disse que era a nova
tecnologia de informação e comunicação (TICs). Podia ser que até não prestasse,
mas o nome era impressionante: Nova tecnologia de informação e comunicação.
Minha velha servia o almoço. Fiquei vendo
minha filha, falando importante, sotaque de terra distante e manuseando o
aparelho chamado celular, aparelho que servia pra se comunicar com pessoas distantes,
igual a outros que já tinha visto por aqui, cidade distante das
chuvas e do mundo, mas só que aquele não fazia só isso não, aprendera com a
cidade grande a deixar nossa voz nele, e também a imagem da gente, além de ela,
minha filha, não parar de mandar mensagens para não sei quem, SMS, disse.
Namorando à distancia e repetiu: Nova tecnologia de informação e comunicação. Pensei,
é safadeza.
Nesse momento minha barriga gritou mais alto:
velha necessidade, o mesmo hábito de comunicação. Embora quisesse falar com o
namorado de longe, minha filha se rendeu ao antigo cheiro de feijãozinho com arroz que sua mãe
sempre lhe fazia quando aqui morava com a gente. Quis ela registrar o momento,
bateu foto de todos, dos cinco irmãos mais novos, da mesa, dos pratos; filmou tudo com o danado do celular,
disse isso rindo, mas riu mais ainda quando lhe perguntei se ela ia mostrar o
cheiro da comida para suas amigas de longe, lá quando chegasse à capital.
Valdemir Guimarães

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