domingo, 24 de junho de 2012

Detrás do Rosto

Acho que mais me imagino
do que sou
ou o que sou não cabe
no que consigo ser
            e apenas arde
detrás desta máscara morena
que já foi rosto de menino.


Conduzo
sob minha pele
uma fogueira de um metro e setenta de altura.


Não quero assustar ninguém.
Mas se todos se escondem no sorriso
            na palavra medida
devo dizer 
que o poeta gullar é uma criança
             que não consegue morrer
e que pode
a qualquer  momento
desintegrar-se em soluços.


Você vai rir se lhe disser
que estou cheio de flor e passarinho
que nada
do que amei na vida acabou;
            e mal consigo andar
            tanto isso pesa.
Pode você calcular quantas toneladas de luz
            comporta 
            um simples roçar de mãos?
            ou o doce penetrar
            na mulher amorosa?


Só disponho do meu corpo
para operar o milagre
            esse milagre
            que a vida traz
                e zás
                dissipa às gargalhadas.


(Gullar, Ferreira. Toda poesia reunida.Rio de Janeiro. José Olympo, 2004. 12ª ed. p. 370)


    

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