segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Poemas feitos a meia noite
Sob a luz da insônia insana
Sempre sobram rebarbas de pornografia.
Um seio à mão, uma perna assaz sem pelos
Ou um ventre ardente entre língua e dentes.

A noite é surda, não fala e nem sussurra
                                                               É fria.
É tudo o que não é minha afoita morena.
Daqui a ouço, quando próxima ao coito
Gemia e sorria.


Valdemir Guimaraes 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

                        Ao escritor João Batista Machado


24 de junho, dia de seu João
Ano após anos e já são noventa.
A vida em ti, bom senhor, se reinventa
E sonhos vem, vão e são teu diário alimento.

A tua cidade agradece em silêncio tua voz pouca
Quase pouca diante do grito que reside em teu peito eterno.
Sonhar se apreende contigo:  
Meu bom senhor, meu amigo.


Valdemir Guimarães 

segunda-feira, 25 de maio de 2015


Para sacramentar o fim de um amor
enterrá-lo depois de um “caralho”
só mesmo escrevendo um poema
em palavras sob a sombra de carvalhos 
cravando quanto valeu a pena.
Reconhecer as noites curtas
o vinho, o som,o queijo o quanto foi bom
e apanhar na memórias as palavras soltas
as promessas de longo amor
ou o lacre impublicável de um semi orgasmo

No fim do amor, também, Praguejar o mesmo amor faz muito bem
Desconfiar de seu olhar, do que veio aqui deixar, levar.
A linha é tênue entre o amor e o seu desamar
Afinal, são só dois que puxam cada qual a ponta do mesmo cordão
É sempre assim, alguém tem que ferir a mão.

Valdemir Guimarães 
Ela só é bonita
Fora essa lua, tudo mais me irrita.
Ela só complica
Faz soma, diminui o que em mim se aplica.
Ela agora canta
Desafina, faz cara de cantora, a louca
Ela nunca diz eu te amo

Nada nunca disse, por isso que eu reclamo...

Valdemir Guimarães

domingo, 10 de maio de 2015

                                      à Geruza

Todo poema sobre mãe é triste.
As músicas da minha infância dizem isso.
Como se melhor fosse se mulheres mães não fossem
Contradizendo as escrituras tão lidas e seguidas:
Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28)
Para preparar uma nova era, mulheres tornar-se-ão mães
Homens irão em busca aos seus filhos de pães: eis a família.

Aqui, pra mim, prefiro ver minha mãe como mãe apenas
Mulher, que já foi moça, criança, uma menina
Crescendo e que cresceu em volta de outras tantas voltas
de sentidos e sem sentidos.
É linda, forte, humana
e melhor do que ela própria é em tudo.
Absurdamente poderosa no que se refere ao afeto
E pálida, raquítica às decisões do filho que um dia
seus próprios caminhos terá que seguir sozinho...

Valdemir Guimarães 


terça-feira, 5 de maio de 2015

                                 









À Beatriz

Quem te diz não viu o que eu vi
Teu corpo em linhas do ventre ao dorso
Afora o rosto, teu braço e pernas revelam
Miragens: tatuagens.

Nomes de filhos, ideologias esquecidas
Em sinuosas linhas ou nada discretas
Retas na pele emblemam viagens:tatuagens.

Valdemir Sousa

sábado, 4 de abril de 2015

Minha cidade dorme longe
E corro sem perceber o tempo que nos distancia
E não a alcanço mais
Adeus amor, adeus velho cais.

Agora que a deusa me abraça
Sem pressa como todos os deuses
Silencia ao meu ouvido prece indizível
Se não fossem deusa, seria incrível.

Amor meu, adeus, você envelhece
Como os deuses de minha cidade
Nada me dizem do novo.
Tão distante de tudo, olhos embaçados de antigos ritos
Mudos, não ouvem da aldeia um clamor, nem mesmo os gritos.
   

Valdemir Guimaraes