domingo, 10 de maio de 2015

                                      à Geruza

Todo poema sobre mãe é triste.
As músicas da minha infância dizem isso.
Como se melhor fosse se mulheres mães não fossem
Contradizendo as escrituras tão lidas e seguidas:
Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28)
Para preparar uma nova era, mulheres tornar-se-ão mães
Homens irão em busca aos seus filhos de pães: eis a família.

Aqui, pra mim, prefiro ver minha mãe como mãe apenas
Mulher, que já foi moça, criança, uma menina
Crescendo e que cresceu em volta de outras tantas voltas
de sentidos e sem sentidos.
É linda, forte, humana
e melhor do que ela própria é em tudo.
Absurdamente poderosa no que se refere ao afeto
E pálida, raquítica às decisões do filho que um dia
seus próprios caminhos terá que seguir sozinho...

Valdemir Guimarães 


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