Não faço pouco caso do que sinto
Embora em febre
da paixão ou da enfermidade
Da alegria insana ou a incrédula tristeza
Instalada em minha célula
Opto por sentir
Muito, tanto ou quase nem
Mas sempre sentir o arder na pele
O roer da fome de irmãos meus a oeste de onde hesito
O clamor das meninas ao amor que feneceu
O hálito de fumo e álcool dos viciados em alegria
A lagrima escondida, ao grito opaco
O seio murcho, a palavra medida de raiva
A calunia da vida esnobe
Sinto pelo dia perdido, pelo plano do ano
O crédito certo, a bala em curso
O gozo infértil ou a glande cólera
Amanhã talvez não haja senha
Pra felicidade que se desenha
A morte pautará minha suposta sorte
O amor esclarecerá a cinza compreensão
Ou o ciúme explodirá num parque azul
A abelha, o cão, o repousar da mão indébil
Tua na minha mão
Fascínio no corpúsculo de Fascino
A lua que se acena, o corpo jovem em pelo
Viver é sentir o apelo dos poros
O odor da urina dos becos, clamor do grito em rito
O arco-íris no céu em curva
Ou o sal da tua vulva.