sábado, 7 de maio de 2022

 Se digo "eu", num poema diário

não quero dizer que esse sou

sigo esquivo no armário.

o eu lírico ama

enquanto o outro a vida afana.

o eu lírico rir, chora, chama

e até mesmo, numa única dose

morre sem está de porre.

já o outro que sou também pode

chamar, rir e quiçá amar

e sem dúvida no destino certeiro, 

numa curva, ou um punhal de amor traído, morrer 

só que essa ventura não mais poderei escrever.


Valdemir Guimaraes 

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