Se digo "eu", num poema diário
não quero dizer que esse sou
sigo esquivo no armário.
o eu lírico ama
enquanto o outro a vida afana.
o eu lírico rir, chora, chama
e até mesmo, numa única dose
morre sem está de porre.
já o outro que sou também pode
chamar, rir e quiçá amar
e sem dúvida no destino certeiro,
numa curva, ou um punhal de amor traído, morrer
só que essa ventura não mais poderei escrever.
Valdemir Guimaraes
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