quinta-feira, 15 de agosto de 2019



Ao sentir o sal da lágrima tua
Que por hora escorre do teu rosto infantil
Arde no meu peito o feito de outros homens
Que roubaram a inocência de meninas mil.
E eram mãos, pulsos e punhos em atos insanos
Numa sanha impulsiva, assim vejo
Arrancar quiçá a tapa um ai, um beijo, a seiva do desejo.
Quanta loucura nessa busca obscura
O gesto do incesto habita aí
Mata com as mãos mulheres puras
Infantes antes, depois doentes, dementes do ato vil

Oh, homem que o diabo com as mãos esculpiu
Te aguarda o inferno eterno derradeiro leito teu.
A você, pobre menina, que às lágrimas vêm em versos
Aqui deixo impresso meus lamentos e protestos
                  por tua imerecida chaga
Que o tempo a faça melhor, e se crente for,
Deus, expressão do amor, fará de tua alma calma.
Menina, mulher, Perdão
Mesmo sem chão o que nos sobra é caminhar
com as pernas que ficam
o coração, o peito e o jeito que a vida dar.

Valdemir Guimaraes




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