Ao sentir o sal da lágrima tua
Que por hora escorre do teu rosto
infantil
Arde no meu peito o feito de outros
homens
Que roubaram a inocência de meninas mil.
E eram mãos, pulsos e punhos em atos
insanos
Numa sanha impulsiva, assim vejo
Arrancar quiçá a tapa um ai, um beijo, a
seiva do desejo.
Quanta loucura nessa busca obscura
O gesto do incesto habita aí
Mata com as mãos mulheres puras
Infantes antes, depois doentes, dementes
do ato vil
Oh, homem que o diabo com as mãos
esculpiu
Te aguarda o inferno eterno derradeiro
leito teu.
A você, pobre menina, que às lágrimas vêm
em versos
Aqui deixo impresso meus lamentos e
protestos
por tua imerecida chaga
Que o tempo a faça melhor, e se crente
for,
Deus, expressão do amor, fará de tua alma
calma.
Menina, mulher, Perdão
Mesmo sem chão o que nos sobra é caminhar
com as pernas que ficam
o coração, o peito e o jeito que a vida
dar.
Valdemir Guimaraes
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