quinta-feira, 15 de agosto de 2019



Ao sentir o sal da lágrima tua
Que por hora escorre do teu rosto infantil
Arde no meu peito o feito de outros homens
Que roubaram a inocência de meninas mil.
E eram mãos, pulsos e punhos em atos insanos
Numa sanha impulsiva, assim vejo
Arrancar quiçá a tapa um ai, um beijo, a seiva do desejo.
Quanta loucura nessa busca obscura
O gesto do incesto habita aí
Mata com as mãos mulheres puras
Infantes antes, depois doentes, dementes do ato vil

Oh, homem que o diabo com as mãos esculpiu
Te aguarda o inferno eterno derradeiro leito teu.
A você, pobre menina, que às lágrimas vêm em versos
Aqui deixo impresso meus lamentos e protestos
                  por tua imerecida chaga
Que o tempo a faça melhor, e se crente for,
Deus, expressão do amor, fará de tua alma calma.
Menina, mulher, Perdão
Mesmo sem chão o que nos sobra é caminhar
com as pernas que ficam
o coração, o peito e o jeito que a vida dar.

Valdemir Guimaraes




terça-feira, 7 de maio de 2019



Não há Lei que me resguarde
Nem consciência sã a me dá razão
Todos os meus erros escuto sem alarde
Os escarros pelas ruas uníssonos vão
Sob um céu ou um véu negro refugiaria o meu rosto
Mudaria o meu nome e de casa se a caso possível fosse
Mas meu corpo e orgulho na cidade sem alarde já vão expostos
Sou um homem vil, isso sendo eu comigo gentil.
Padeço do erro maior e sem cor
Errei na dona, na dose, no tempo e no amor
E não há alento em voz branda que me sussurre avesso
A você, mulher sem dono, não lhe cabe culpa, desculpa
                                  Perdão ou tropeço.
A mim, homem estupido, o caminho incauto, a desconfiança
e a solidão é sem preço.


Valdemir Guimarães



sábado, 23 de março de 2019


Dia 22 de março, há três anos, morreu Seu João Batista Machado.
Humanista, historiador, amante da cultura, bichos e pessoas humanas.
Hoje 23 de março, falece Domingos de Oliveira, poeta, dramaturgo, ator...
Aqui a vida ainda arde em poesia, paisagens, filmes, musicas, amor e um Deus a nos vigiar.
Sério, há pessoas que se vão e fazem tanta falta
justamente por nunca de fato terem partido.   

                  Valdemir Guimarães



sábado, 2 de fevereiro de 2019


Ouvir canções tristes
Pensar “o amor não mais existe”
Foram esses últimos dias assim
Vento frio, trovoada, chuva fina
                    Alma calada.

Valdemir Guimarães


terça-feira, 1 de janeiro de 2019


Por ora não bebo e nem bebi de tua taça
Minha saúde não permite.
E embora cronologicamente tua idade a impossibilite
Você não se deu esse limite, por isso dessa boca sinto o cheiro suave Do Quinta do Morgado.
Não é noite ainda e sóbrio vejo teu corpo
bailando em passos de dança leve, quase planando
entre o piso e o teto.
Saltos ao ar, cheiro de flor salpica
os quatro cantos da alcova.
Se não disse antes, vale acrescentar que
Danças nua, como a lua o é, seja noite ou dia
De igual modo, a verdade que se apresenta para quem
Coberto de razão a pronuncia.
Caso não me chames atenção,
Passaria eu nesse tempo que nos cobre mirando os ângulos de teu lastro
Percorrendo o volume que se sobressai abaixo a tua cintura
E que por ora minhas mãos sem ira seguram
e a boca busca sedenta na ânsia de tatuá-la como antes
como outro amante o faria com afago, dentes e língua
e que o mundo acabe à míngua.

Valdemir Guimarães