segunda-feira, 9 de abril de 2018


Como grudar na parede tua imagem ainda úmida
nos sonhos de frias noites e caladas.
Não há como temperar o verso
limar substantivos, não há cura nem curativo
quando tudo descamba pra o fim.
O amor deixa um odor ruim quando desaba
dos sonhos de frias noites e caladas...
Um punhal no meu peito nu, um busto vazio e sem cor ...
A porta que se fecha e não deixa mais teu som entrar
Se o dia mal rompeu e não o vi de tanto mirar
a sombra de tua ausência
Que venha então esse novo dia e encha-me de planta e pássaro.
Passo de nuvens e vento
Teimo, lembro, pois muito a amei.
Envelheço, logo esquecerei. 

Valdemir Guimarães

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