sexta-feira, 13 de abril de 2018


Quando o sol chegou ao teu corpo nu
Eu já estava acordado há algum tempo
Pude sentir a friagem da madrugada se estendendo a tua alcova
As cores vacilantes do céu, se não eram meus olhos exaustos
Da noite estendida, achei que elas misturavam-se a cor da tua pele mestiça.
Embriagado da madrugada meu corpo parecia render-se
Clamando descanso.
Porém, a imagem de tuas nalgas em alto relevo
No ângulo que meus os olhos agora captura me faz
ainda vibrar  e me estimula.
Sei que não foi o café que sorvemos depois das duas
Nem antes, outro estimulante a base de polém circulando
                                                                 O bico dos seios teus.
Não foi e não é isso que ainda me inflama.
Agora que o sol não mais se cala com sua voz de brilho e calor
E você já desperta de seu sono, e tudo conspira para vida depois da noite
por fim adormecerei, rendendo-me a cansaço, feliz por amá-lo como sempre quis.

Valdemir Guimarães

segunda-feira, 9 de abril de 2018


Como grudar na parede tua imagem ainda úmida
nos sonhos de frias noites e caladas.
Não há como temperar o verso
limar substantivos, não há cura nem curativo
quando tudo descamba pra o fim.
O amor deixa um odor ruim quando desaba
dos sonhos de frias noites e caladas...
Um punhal no meu peito nu, um busto vazio e sem cor ...
A porta que se fecha e não deixa mais teu som entrar
Se o dia mal rompeu e não o vi de tanto mirar
a sombra de tua ausência
Que venha então esse novo dia e encha-me de planta e pássaro.
Passo de nuvens e vento
Teimo, lembro, pois muito a amei.
Envelheço, logo esquecerei. 

Valdemir Guimarães