domingo, 7 de janeiro de 2018

Sinto pouco meus joelhos
As mãos já não são mais as mesmas
sei disso quando dedilho o esquecido vilão
ou quando acaricio teus seios e não vibro
me encontro num canto e meus olhos são todos vermelhos
já não me acendo se encontro teus pentelhos.
Ontem extrai mais um dente entre o terror
Da cadeira do dentista e o pavor de não mais me reconhecer
No espelho.
Sei que envelheço principalmente quando esqueço
Coisas tão fúteis, mas uteis para nosso dia-a-dia
Como o nome de nosso velho canário
ou o dia do teu aniversário.
Quando sorvo aquele mesmo vinho ou trago a cigarrilha
Penso que ainda trago em mim a alegria de antes
Sonhos, fúria, a mesma força...
Que ninguém me ouça, mas envelheço a olhos vistos
Uma prova disso é que agora pensei que
Podia ter aqui de você aquele mesmo amor
Que inventei não sei a quanto tempo.
Quando a razão vem, lembro que essas coisas vão e vem
É assim que a vida funciona,
Não se pode parar esse trem.
Os joelhos esquecidos, as mãos, os dentes
E um amor que já não rende
A vida escorre, dilui-se, vai-se, entre os dedos
Ficam os segredos cada vez mais sem mistérios
Ah, graça de acha que tudo é sério.
E pela mesma mão que acredita ser em vão
Ela torna a gemer, acha ar
Levanta-se e quer voltar a ser
Atrás de uma isca vã esperança
Que só Deus para prevê.

Valdemir Guimarães

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