Chico é agora um felino
Que trago comigo
Preenche meu quarto
E minha vida
E quem diria, me dá alegria
Se o vejo brincar com seu próprio
rabo
ou quando dá cabo de minhas meias
vermelhas.
Não é raro que miro suas
performances
Correria, saltos e miados
Se alegre ou faminto
Sinto-o esbarrando nos meus passos
agora
No meu caminho no meio
Se toco em um saco, sacola que lhe
lembre
O som de onde retiro comumente o
seu alimento
Depois de saciado e do repouso sagrado
Em pulos tresloucados agarra o ar
Com suas duas patas branquinhas
Feito nuvem nova
E para de supetão, olha longe, mira
meu olho
Me olha e por hora o amor em mim se
renova.
Agora é hora de dormir, Chico
Deixa, por favor, meus pés em paz
Sob o lençol oculto de teus olhos
Mas vivo aos teus sentidos
Tuas presas afiadas de menino os ferem.
Dorme, que o dia amanha tá aí
Para preenchê-lo em graça e sem
medo
Embaraçá-lo
Como se fosse o mundo de lã um
novelo.
Valdemir Guimarães

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