segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Será sempre nova
Essa ânsia do vômito
Essa febre em meu corpo
Esse frio sem jeito?
Qual gene falhou
e não arrebatou essa
séria bactéria?


Valdemir Guimarães 
Estou doente, corpo febril
Um ai sem fim em mim se abriu.

Valdemir Guimarães


sábado, 20 de janeiro de 2018













Chico é agora um felino
Que trago comigo
Preenche meu quarto
E minha vida
E quem diria, me dá alegria
Se o vejo brincar com seu próprio rabo
ou quando dá cabo de minhas meias vermelhas.
Não é raro que miro suas performances
Correria, saltos e miados
Se alegre ou faminto
Sinto-o esbarrando nos meus passos agora                           
No meu caminho no meio
Se toco em um saco, sacola que lhe lembre
O som de onde retiro comumente o seu alimento
Depois de saciado e do repouso sagrado
Em pulos tresloucados agarra o ar
Com suas duas patas branquinhas
Feito nuvem nova
E para de supetão, olha longe, mira meu olho
Me olha e por hora o amor em mim se renova.
Agora é hora de dormir, Chico
Deixa, por favor, meus pés em paz
Sob o lençol oculto de teus olhos
Mas vivo aos teus sentidos
Tuas presas afiadas de menino os ferem.
Dorme, que o dia amanha tá aí
Para preenchê-lo em graça e sem medo
Embaraçá-lo
Como se fosse o mundo de lã um novelo.


Valdemir Guimarães     

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sei desde sempre que a culpa não é tua
Você só me deu teus lábios que nem eram teus
E eu os fiz meus e não os desfiz
Embora meu coração me diga o contrário
E arme intrigas com o teu nome
Desde o começo eu sabia que não a teria
Por mais de alguns dias
E de tua boca eu ouvi em tom de despedida
Tua amada em outra cidade te vigia
Sei que a culpa não é tua
De sair pela noite nua e chamar-me atenção
Abrir o meu peito e cerzir tua imagem bem no meu coração.


Valdemir Guimarães

terça-feira, 16 de janeiro de 2018












No trago do cigarro
   sinto teu hálito
Na fumaça que sobe
O teu nome cobre o espaço que ali havia
Você d i s t a n t e,
        eu minguante.  


Valdemir Guimarães 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Claro que você percebeu meu olhar
Soslaio, pedinte e rapinante.
Impossível para eu, um mero homem de 40
Não desejar o sobejo do teu decote
O segredo que guarda sob esse tecido florido.
Tua pele branca, os sinais se sobressaem
Tuas ancas dançam sem nenhum segredo
Meus olhos avançam
Se a calcinha você tira do rego...


Valdemir Guimaraes 

domingo, 7 de janeiro de 2018

Sinto pouco meus joelhos
As mãos já não são mais as mesmas
sei disso quando dedilho o esquecido vilão
ou quando acaricio teus seios e não vibro
me encontro num canto e meus olhos são todos vermelhos
já não me acendo se encontro teus pentelhos.
Ontem extrai mais um dente entre o terror
Da cadeira do dentista e o pavor de não mais me reconhecer
No espelho.
Sei que envelheço principalmente quando esqueço
Coisas tão fúteis, mas uteis para nosso dia-a-dia
Como o nome de nosso velho canário
ou o dia do teu aniversário.
Quando sorvo aquele mesmo vinho ou trago a cigarrilha
Penso que ainda trago em mim a alegria de antes
Sonhos, fúria, a mesma força...
Que ninguém me ouça, mas envelheço a olhos vistos
Uma prova disso é que agora pensei que
Podia ter aqui de você aquele mesmo amor
Que inventei não sei a quanto tempo.
Quando a razão vem, lembro que essas coisas vão e vem
É assim que a vida funciona,
Não se pode parar esse trem.
Os joelhos esquecidos, as mãos, os dentes
E um amor que já não rende
A vida escorre, dilui-se, vai-se, entre os dedos
Ficam os segredos cada vez mais sem mistérios
Ah, graça de acha que tudo é sério.
E pela mesma mão que acredita ser em vão
Ela torna a gemer, acha ar
Levanta-se e quer voltar a ser
Atrás de uma isca vã esperança
Que só Deus para prevê.

Valdemir Guimarães
Bom mesmo é pensar
Bem sabe o pensador
Sabe ele a dedo dosar
O sabor do bem, o ardor da dor.


 Valdemir Guimarães

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018


se meu verso agora é triste
viro o verbo pelo avesso
d e s e n t r i s t e ç o

Valdemir Guimarães