Sinto pouco meus joelhos
As mãos já não são mais as mesmas
sei disso quando dedilho o esquecido
vilão
ou quando acaricio teus seios e não
vibro
me encontro num canto e meus olhos
são todos vermelhos
já não me acendo se encontro teus
pentelhos.
Ontem extrai mais um dente entre o
terror
Da cadeira do dentista e o pavor de
não mais me reconhecer
No espelho.
Sei que envelheço principalmente
quando esqueço
Coisas tão fúteis, mas uteis para
nosso dia-a-dia
Como o nome de nosso velho canário
ou o dia do teu aniversário.
Quando sorvo aquele mesmo vinho ou
trago a cigarrilha
Penso que ainda trago em mim a
alegria de antes
Sonhos, fúria, a mesma força...
Que ninguém me ouça, mas envelheço
a olhos vistos
Uma prova disso é que agora pensei
que
Podia ter aqui de você aquele mesmo
amor
Que inventei não sei a quanto
tempo.
Quando a razão vem, lembro que
essas coisas vão e vem
É assim que a vida funciona,
Não se pode parar esse trem.
Os joelhos esquecidos, as mãos, os
dentes
E um amor que já não rende
A vida escorre, dilui-se, vai-se,
entre os dedos
Ficam os segredos cada vez mais sem
mistérios
Ah, graça de acha que tudo é sério.
E pela mesma mão que acredita ser
em vão
Ela torna a gemer, acha ar
Levanta-se e quer voltar a ser
Atrás de uma isca vã esperança
Que só Deus para prevê.
Valdemir Guimarães