sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

                            À Kaline


Entre dentes, risos e lágrimas, fazendo-se de louca
Nessas horas frias, lembro-me de suas palavras soltas:
- Eu sou meio chorona, sabe!
De repente, abre-me o peito com seu sabre de ternura
Então, penso que o amor corriqueiramente perde o bonde
e onde a gente menos procura
O que antes, verdugo e bruto

Agora, arguto e cura. 


Valdemir Guimarães

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Nude
















Mesmo pelo retrato seco, em cor, sem voz e pulsação
Posso quase sentir, depois da tela de vidro, meus dedos e mãos 
deslizando fáceis do rosto ao dorso
E pousando onde os olhos em pedra reclamam.
Deslumbrei-me ao ver tuas mamas
num nude, novela, quase drama.
Saiamos! E faremos filmes em minha cama. 

Valdemir Guimarães 

Poeminha sem vergonha de natal





Depois de noites gloriosas de amor, olor e orgia
Ela, às avessas, se fez minha mamãe noel
E trouxe meu presente envolto num papel
Num gozo ao contrário, sentei-me ao seu lado
De quem se fez minha em luas vizinhas
E soltei num tom bravo de um ridículo tarado:
- Porque não usei a camisinha? 

Valdemir Guimarães 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

       
                                                      À Geruza, minha mãe.



 14 de novembro, se não me lembro de outra coisa, nesses normais dias, não esqueço que, se viva você fosse, mais uma ano de vida completaria.
Você foi minha mãe e acredito que sempre será.
Carrego em minha pele teu jeito, cheiro, cor, do teu ser, a mais brava flor.
E certo estou que não sou sem ter sido antes teu filho.
Tudo de bom e de ruim no mesmo cálice,
No mesmo dividido pão, nas linhas tortas de minha mão encontro você. 
Nesse ser que pouco cresceu,
vejo-me eternamente um filho teu.   

Valdemir Guimarães