segunda-feira, 25 de maio de 2015


Para sacramentar o fim de um amor
enterrá-lo depois de um “caralho”
só mesmo escrevendo um poema
em palavras sob a sombra de carvalhos 
cravando quanto valeu a pena.
Reconhecer as noites curtas
o vinho, o som,o queijo o quanto foi bom
e apanhar na memórias as palavras soltas
as promessas de longo amor
ou o lacre impublicável de um semi orgasmo

No fim do amor, também, Praguejar o mesmo amor faz muito bem
Desconfiar de seu olhar, do que veio aqui deixar, levar.
A linha é tênue entre o amor e o seu desamar
Afinal, são só dois que puxam cada qual a ponta do mesmo cordão
É sempre assim, alguém tem que ferir a mão.

Valdemir Guimarães 
Ela só é bonita
Fora essa lua, tudo mais me irrita.
Ela só complica
Faz soma, diminui o que em mim se aplica.
Ela agora canta
Desafina, faz cara de cantora, a louca
Ela nunca diz eu te amo

Nada nunca disse, por isso que eu reclamo...

Valdemir Guimarães

domingo, 10 de maio de 2015

                                      à Geruza

Todo poema sobre mãe é triste.
As músicas da minha infância dizem isso.
Como se melhor fosse se mulheres mães não fossem
Contradizendo as escrituras tão lidas e seguidas:
Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28)
Para preparar uma nova era, mulheres tornar-se-ão mães
Homens irão em busca aos seus filhos de pães: eis a família.

Aqui, pra mim, prefiro ver minha mãe como mãe apenas
Mulher, que já foi moça, criança, uma menina
Crescendo e que cresceu em volta de outras tantas voltas
de sentidos e sem sentidos.
É linda, forte, humana
e melhor do que ela própria é em tudo.
Absurdamente poderosa no que se refere ao afeto
E pálida, raquítica às decisões do filho que um dia
seus próprios caminhos terá que seguir sozinho...

Valdemir Guimarães 


terça-feira, 5 de maio de 2015

                                 









À Beatriz

Quem te diz não viu o que eu vi
Teu corpo em linhas do ventre ao dorso
Afora o rosto, teu braço e pernas revelam
Miragens: tatuagens.

Nomes de filhos, ideologias esquecidas
Em sinuosas linhas ou nada discretas
Retas na pele emblemam viagens:tatuagens.

Valdemir Sousa