domingo, 24 de agosto de 2025

 

Claro que me excita o instinto

De fazer um poema de ódio

Expurgar todo beleza rala

Delicadeza que maltrata

O desinteresse que só suga

Pulga sorvendo sangue

Teatro da verdade inventada.

Não existe rima para tanto

Versos de odor tão embebidos

Estrofes em câncer entristecidos

Regados na desternura de mentiras.

Como pode alguém se iludir

Por teu doce canto desafinado

Teu seio batido e enviesado

Nádegas sem repertorio próprio

E pés sem vida, sem ânimos

Quis que um dia na minha vida você se criasse

E te fiz e coloquei num pedestal ancestral

A ti fiz juramentos

Verti por ti todo o meu sangue

Pluguei a tua teia em minha veia

Acendi pra você velas roxas

Sacrifiquei filhos já paridos

E Mulheres que a mim amaram sem ter porquê.

Agora que a vida por mim passou

E tanto doei-me e por fim sinto-me vazio

Rio das peripécias de um amor sacro

A uma santa sem caralho

Ódio quero expulsar desse triste coração

Deixar sangrar qualquer lembrança regada de uma espessa esperança

Por aqui e agora selo um pacto comigo

De quer-me como maior amigo

E ver-te como o certo desabrigo.


Valdemir Guimaraes

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