Claro que me excita o instinto
De fazer um poema de ódio
Expurgar todo beleza rala
Delicadeza que maltrata
O desinteresse que só suga
Pulga sorvendo sangue
Teatro da verdade inventada.
Não existe rima para tanto
Versos de odor tão embebidos
Estrofes em câncer entristecidos
Regados na desternura de mentiras.
Como pode alguém se iludir
Por teu doce canto desafinado
Teu seio batido e enviesado
Nádegas sem repertorio próprio
E pés sem vida, sem ânimos
Quis que um dia na minha vida você se criasse
E te fiz e coloquei num pedestal ancestral
A ti fiz juramentos
Verti por ti todo o meu sangue
Pluguei a tua teia em minha veia
Acendi pra você velas roxas
Sacrifiquei filhos já paridos
E Mulheres que a mim amaram sem ter porquê.
Agora que a vida por mim passou
E tanto doei-me e por fim sinto-me vazio
Rio das peripécias de um amor sacro
A uma santa sem caralho
Ódio quero expulsar desse triste coração
Deixar sangrar qualquer lembrança regada de uma espessa esperança
Por aqui e agora selo um pacto comigo
De quer-me como maior amigo
E ver-te como o certo desabrigo.
Valdemir Guimaraes
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