sábado, 25 de agosto de 2018


O que ruim desatou de mim
Antes mesmo que que eu visse
Se perdeu ao ciclo do vento
Ao cio do esquecimento, esvaiu-se.
Causa da dor também
Ao relento de carne exposta aos sois
Ao ar quente desses cocais
Nos varais da tarde
Inda duvidei: nada mais sangrais?
Os falsos passos do ressentimento
Já não os ouço...foram-se
O coração me despertou e me disse anda
Ao antes inimigo, teci-lhe
Preces em poemas, dei-lhe abrigo
Nada de vaidade ou vadiagem
Se o amor despertou, não vou esquecer
Vingança ou rancor são restos
Não se serve e não serve
Aos gratos pratos do são amanhecer.

Valdemir Guimarães

sábado, 11 de agosto de 2018


No afã da espera
Ansioso chego ao osso
E não mais que um fã morto
Encontrará no lugar posto.

Valdemir Guimarães    

quarta-feira, 8 de agosto de 2018


Queria no fundo ter a força de Gil
Vencer doenças e medos,   
Cantar o perigo, flertar o psicodélico
Sem medo no coração
Benéfico desamores, Deixar você ou  Drão
Poemas deletérios: exotérico.
Ver além da morte, e dizer sem segredo
Dela não ter medo
Aos 76, lançar mais um disco
E na TV, se expressar, ser viso.
Bem de perto, seguir seus passos de peito aberto.
Pena de quem ainda seus poemas
Seu som e discografia inda não ouviu
Eu queria a prumo ter a força de Gil.

Valdemir Guimarães


  



quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Meu coração é de velho
Esquece até dos próprios cuidados
Agita-se por nada, transgride a respiração
Põe o corpo em suspeição e o amigos
                       dele avisados.
Sei que jovem irei morrer
O coração talvez pare primeiro
Será o dianteiro a sentir o que é não mais
Está aqui.
Será que esse coração irá levar em algum lugar
No seu oco espaço ou nos seus átrios
E ventrículos nomes, íris ou eflúvios de
Amores que lhe fez tanto a vida bombear?
Agora o Preferido de Saturno é o que faz
C a m i n h a r
Não há aqui mentiras tantas
Que o espirito santo pragueje e Deus lance
O veredito fatal
Há cama, calma e alma.  
Lança meu velho coração seus jatos de sangue
às velhas veias a dentro pelo corpo
Mantem-o de pé, mesmo esse em plena dor
insistindo em viver pelo viés do amor
até quando mais nada eu for. 

Valdemir Guimaraes