Andas pelo corredor da escola
Desliza leve pelo pátio passo a
passo
Como se descalça andasses e nuvens
fossem teu assoalho
Até chegares a tua sala, nossa sala
Amplo salão onde se encontra apena
tu e eu
Lá espero com o lerdo caderno ainda
aberto na carteira
Que nada me diz sobre o que faço ou
fiz
Nem mesmo os textos caligrafados em
hieróglifos
Tão compreensivo e antigos como
nosso amor.
Existem Estados, cidades,
Presidentes, geografia
Literatura ou história que narre o
meandro dos teus lábios
E que matemática precisará o
silabar fleumático
de meu nome escorrendo entre teus
dentes?
Se me dizes que sou o teu namorado
quem lhe faz bem por estar ao teu
lado
faço-me feliz.
Mesmo sabendo que há sábado sem luz
Domingos de incertezas, bocas
abertas e sonhos
De pão que nunca se realizarão na
mesa
Infelizmente, fico feliz...
Se nesse átimo de segundo você
invade a sala
A tua sala, a nossa sala trazendo
consigo a luz
E vem pernas, bunda, boca e seios e
veias nos teus
Braços e o sangue que viaja por
elas e te faz viva
Isso me refaz em vida e é tano que
molha em pranto minhas
Mãos e caderno
aperto o coração e entendo que
enfim amo
como se nunca houvera para minha
vida outro plano.