quinta-feira, 28 de junho de 2018


Andas pelo corredor da escola
Desliza leve pelo pátio passo a passo
Como se descalça andasses e nuvens fossem teu assoalho
Até chegares a tua sala, nossa sala
Amplo salão onde se encontra apena tu e eu
Lá espero com o lerdo caderno ainda aberto na carteira
Que nada me diz sobre o que faço ou fiz
Nem mesmo os textos caligrafados em hieróglifos
Tão compreensivo e antigos como nosso amor.
Existem Estados, cidades, Presidentes, geografia
Literatura ou história que narre o meandro dos teus lábios
E que matemática precisará o silabar fleumático
de meu nome escorrendo entre teus dentes?
Se me dizes que sou o teu namorado
quem lhe faz bem por estar ao teu lado
faço-me feliz.
Mesmo sabendo que há sábado sem luz
Domingos de incertezas, bocas abertas e sonhos
De pão que nunca se realizarão na mesa
Infelizmente, fico feliz...
Se nesse átimo de segundo você invade a sala
A tua sala, a nossa sala trazendo consigo a luz
E vem pernas, bunda, boca e seios e veias nos teus
Braços e o sangue que viaja por elas e te faz viva
Isso me refaz em vida e é tano que molha em pranto minhas
Mãos e caderno
aperto o coração e entendo que enfim amo
como se nunca houvera para minha vida outro plano.


terça-feira, 26 de junho de 2018

Dia 26 tantos como Gil
Em meses diferentes, julho
Março ou  quiçá em abril, aniversariam.
Só que Ele, o cantor, é em junho: viva a vida.
No caso de Daniel, nome forte e bíblico
Foi o contrário, abriu-se a ale outra via
túnel sem fim e sem critérios, o profundo mistério.
Caro, Daniel, esteja você onde estiver
Céu, Jardim ou onde mira hoje a fé dos que te choram
Saiba que aqui os teus te velam
e guardam lembranças tuas.
Umas boas, outras que não se ecoam
               por teus familiares
e levam esses também teu gene,
parte crua da matéria tua
além do teu resíduo espiritual.
Por hora nesses dias de amor e sorte
Digo feito Gil: Não tenho medo da morte
Mas sim medo de morrer...
Sentido a ida tua, mesmo sem te conhecer
Vejo que Mais virtuoso é você, caro Daniel,
que fechou os olhos, encarou o abismo
cessou a ida e se encerrou no tempo sem despedida.
   


 Valdemir Guimaraes 

sexta-feira, 22 de junho de 2018


Agora que estou com a cabeça equilibrada
E olho para os teus olhos e mais nada
Sim, eu vejo o desespero que é viver
Como se eu não saísse mais sem mim.
O prazer de abraçar o dia sem o peso da despedida
Acenar para os amigos, parentes sem mentir
Pelo simples fato de não mais sentir...
Se é noite na tua cidade e a lua não acena como antes
Sempre haverá outras ruas, lembra,
amores, sabores e amantes..
Vivamos como bons amigos,
Libertos do que um dia houve e já é ido
A manhã se faz como um presente
Recebamos e sigamos rentes
O amor se esvai... outros nascem,
melhor ver assim, e não acabam...
floram, viram jardins.

Valdemir Guimarães

segunda-feira, 11 de junho de 2018


Hoje que é o dia dos namorados
apenas beije-me e esteja ao meu lado.
E o amanhã mais uma vez se fez
O que o amor já havia anunciado.

Valdemir Guimarães

quinta-feira, 7 de junho de 2018


Sei que ando só
Eu e meus sentimentos
Pesares, pecados e aflições.
Esperanças encardidas de outros verdes ares
Depositei mais uma vez pelos bares
E enquanto o amor não chega, ando só
Abraço o amigo, rio de passados felizes
Refletido na cor de tua íris.
Solvemos o meu dilema, enquanto a noite dorme
Noutra cidade, aquela em que fui muitos
Muito, menos de fato feliz
Qual a cor refletida na ponta do teu nariz.

Valdemir Guimarães


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Estás doente
Febre, amídalas inflamadas
E dor estendida ao corpo.
Não há apetite que resista a tamanha inflamação
E aqui, meu coração acompanha de longe
Tua possível melhora...
Por hora nada me dizes.
E penso em flores, cores, alegria e risos fáceis
  ... tua voz de ainda menina ecoando no ar.
Mesmo sem saber rezar e sem acreditar em deus algum
Preço com a fé de Josué que logo se recupere
Possa alimentar-se bem e em breve recupere tua energia
tua alegria delineada nos teus passos de dançarina
sob uma chuva de purpurina.

Valdemir Guimaraes