segunda-feira, 19 de março de 2018


Eu já tentei, você há de convir
Das mil vezes que eu quis te ferir
Penetrar a tua pele e pericárdio
Vociferando tua alcunha nas rádios.
Mas nada te abate e te impede
De por minha calma e alma em teste
Quando impulsiva tua íris em flerte
esquece-a nos negros olhos de outro  
será morena, que há ali algum ouro
pedra não lapidada, ou o que vê é quase nada
é chama, água, líquido nos lençóis na madrugada...
pode ser que me chamem de ridículo
por tanto andar e me encontrar em círculo
mas hoje sei como sei que sou homem
você é bem mais que uma super-woman
é o  que se entrega verticalmente,
não lhe incomoda as intempéries do dia  
e com seus olhos de farol alinha-me conduz e me guia.

Valdemir Guimarães

segunda-feira, 5 de março de 2018


Eu bem que podia ter feito um poema
quando você me pediu.
Ter te dado uma rosa, do tecido um corte,
um broche, uma abrigo na minha sobrinha
nos dias de chuva miúda.
Ter te oferecido nas manhãs frias
uma nesga de sol
te dado a mão, o maço , um trago do ultimo cigarro.
Ter te comprado um presente caro.
Podia ter feito um conto fantástico
De tuas histórias contadas sempre
A sombra da noite.

Bem que eu podia ter te beijado bem forte
Mas com tanto vontade e paixão
Que você grudaria tua boca na minha
E não mais soltaria da minha mão
Nem mesmo com esse vento forte
Que leva as pessoas, os amigos, os amores
Pra serem engolidos por outras histórias
E se apagarem no tempo, no mundo e memória.  

Valdemir Guimarães