É noite, um livro me distrai
De travesseiro sob a nuca
rente ao espaldar da cadeira
afirmo-me que nunca mais sentirei
Mas sopra um sopro leve de ar
E nele em grãos finíssimos de areia
Trazidos pela aragem, teu rosto
aparece,
Será miragem?
Te vejo inteira
O livro inerte desaparece, teu
busto cresce
E como um cão sozinho
o faro desgastado de tanto olor
Não preciso a dor de tanta entrega
De um amor absurdo que me cercou
E condenou-me a ter olhos e
sentidos de bicho
A recolher teus escritos no lixo
Acreditando ser isso sinais de um
grande amor.
Valdemir Guimarães
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