sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018


Quando acordei alta noite
Não sei de fato a que horas
O que eu mais queria era poder voltar a dormir
E esquecer aquela dor aguda e renitente
que explodia em meu pé direito
Procurava sem meios e sucesso  um jeito
De reconfortar-me encontrando paz pra mim
e a  meia cava do meu pé.
Ah ´séria bactéria que invadiu o corpo meu
Que nem mesmo em sono profundo
Encontro um mundo onde essa me esqueça
E desapareça como se nunca houvera se acomodado e encontrado no meu corpo 
           o horto seu.

Valdemir Guimarães

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Bom ver você dormindo
ouvir o teu ressonar
pudesse, entraria nos sonhos teus
igual você entra nos meus
nesse ultimo, sonhando, via que você dormia 
e eu sorria como rio hoje de cá
feliz por ouvir 
o teu r e s s o n h a r... 

Valdemir Guimarães

Às vezes é bom se deixar levar pela emoção
Deixar o coração abrir caminho
Levar sustos, derrapadas
Cair em valas, alçapões e só sair bem depois
Do final do dia ou já alta madrugada.
E se o coração tem como saída
A entrada do beco, do túnel, um fundo sem fundo?
Esse é o perigo de se entregar demais
Rapaz, ninguém está imune ou sai impune
Dos pulsos avulsos de uma sã emoção.  
É lance talvez de sorte o encontro da vida
Dos corpos e das almas.
Mas não tema, dê o primeiro passo
e calma, deixa o coração abrir caminho
Antes ele que o embaraço dos rins e baço.

Valdemir Guimarães


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Você que aí vai longe
No ônibus, bonde ou de trem
Não vê que daqui alguém lhe vê 
E esse quer ir aí também.
Na poltrona ao lado do teu lado
Você distraída os olhos perdidos em mil achados
Ou de fato ao teu lado, lado a lado que bom seria!
No teu aroma em fim repousaria.
Ou em qualquer canto onde me caiba
Desde que eu lhe veja e você neste itinerário esteja.

Hoje em dia, Já me basta está só perto
respirar teu ar, mirar teus olhos
                     não busco afetos.
Mas você já vai bem longe
Onde minhas mãos e voz jamais podem alcançar
leve apenas esta encomenda, esses versos
no poema, mesmo que seja no meu sonhar.


Valdemir Guimarães  
É noite, um livro me distrai
De travesseiro sob a nuca
rente ao espaldar da cadeira
afirmo-me que nunca mais sentirei
Mas sopra um sopro leve de ar
E nele em grãos finíssimos de areia
Trazidos pela aragem, teu rosto aparece,
Será miragem?
Te vejo inteira
O livro inerte desaparece, teu busto cresce
E como um cão sozinho
o faro desgastado de tanto olor  
Não preciso a dor de tanta entrega
De um amor absurdo que me cercou
E condenou-me a ter olhos e sentidos de bicho
A recolher teus escritos no lixo
Acreditando ser isso sinais de um grande amor.

Valdemir Guimarães