terça-feira, 15 de agosto de 2017

Toco teu nome com imenso cuidado
Não por acaso hoje o sussurro 
Debaixo da noite sob os telhados 
Na ponta que some entre meus lábios.

Dizê-lo em vão eu evito fazer
Prendo-o no peito, sufoco-o comigo
Como a fumaça que corre em meu sangue
Sai nas narinas me rouba os sentidos


Como está agora ao teu lado
Um outro que diz ser teu namorado
Guardo pra mim, oculto tua alcunha
Escrita um dia ao fino leitor

- Te espero, amor. Te espero, amor.


Valdemir Guimarães

Detrás da noite sem lua
Por onde ninguém imagina
Onde o sol esqueceu de se pô
 E nem Deus pressupôs escrever
Lá minha festa inicia.
Minhas irmãs também brindam comigo
Meus amores dançam sem roupa
E os amigos bebem cansados.
Minha casa inabitada de lágrimas
De braços abertos te acolhe.
Deita nesse berço inaudito
Entre, tranque a porta:

- Os longos dias se fecharam pra sempre.

Valdemir Guimaraes 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Será que ela do lugar onde está
Sente o que eu sinto?
Saberá talvez em sonho
O quanto andei ou adentrei no labirinto?
Quando criança eu dormia ao seu lado
Sentia-me dos filhos seus o seu predileto
E embora me acordasse na madrugada
Me chamando por um nome que só ela me deu
Desconfiada de barulhos da noite
E soubesse dos meus mimos e preguiça
Via-me consultar o banheiro e examinar
Não mais de mil grilos e suas sinfonias.
Só sei que do lado onde estou
Vai, não vou, vejo-a baixar aqui
Na manhã, no café da tarde, depois da janta
Ou bem aí onde esparramados nas cadeiras
Buscávamos forjando lembranças antigas
A paz de um amor que só eu sei onde se abriga.

Valdemir Guimarães 
Qual das tuas mãos eu irei ler agora
Se essas já não as tem mais
e nem mesmo os pés calejados
das andanças e distancias afora
traz você consigo.  
você já não me defende nem me acusa
O que eu vejo em holofotes  pela pista
é teu rosto exposto na revista
e teu busto murcho sob a diáfana blusa.  
Falta você em tudo que cria
Falta vida em tua via
Cante pelo menos esse poema comigo
Se si bemol menor ou lá estridente
Cante, amiga, apenas cante e creia
a vida corre impune aos grandes planos
é permissiva a horrores de amores
Odeia o certo gozo e se deleita, em fim,
                   se sente dores.


Valdemir Guimarães