domingo, 24 de junho de 2012
Detrás do Rosto
Acho que mais me imagino
do que sou
ou o que sou não cabe
no que consigo ser
e apenas arde
detrás desta máscara morena
que já foi rosto de menino.
Conduzo
sob minha pele
uma fogueira de um metro e setenta de altura.
Não quero assustar ninguém.
Mas se todos se escondem no sorriso
na palavra medida
devo dizer
que o poeta gullar é uma criança
que não consegue morrer
e que pode
a qualquer momento
desintegrar-se em soluços.
Você vai rir se lhe disser
que estou cheio de flor e passarinho
que nada
do que amei na vida acabou;
e mal consigo andar
tanto isso pesa.
Pode você calcular quantas toneladas de luz
comporta
um simples roçar de mãos?
ou o doce penetrar
na mulher amorosa?
Só disponho do meu corpo
para operar o milagre
esse milagre
que a vida traz
e zás
dissipa às gargalhadas.
(Gullar, Ferreira. Toda poesia reunida.Rio de Janeiro. José Olympo, 2004. 12ª ed. p. 370)
do que sou
ou o que sou não cabe
no que consigo ser
e apenas arde
detrás desta máscara morena
que já foi rosto de menino.
Conduzo
sob minha pele
uma fogueira de um metro e setenta de altura.
Não quero assustar ninguém.
Mas se todos se escondem no sorriso
na palavra medida
devo dizer
que o poeta gullar é uma criança
que não consegue morrer
e que pode
a qualquer momento
desintegrar-se em soluços.
Você vai rir se lhe disser
que estou cheio de flor e passarinho
que nada
do que amei na vida acabou;
e mal consigo andar
tanto isso pesa.
Pode você calcular quantas toneladas de luz
comporta
um simples roçar de mãos?
ou o doce penetrar
na mulher amorosa?
Só disponho do meu corpo
para operar o milagre
esse milagre
que a vida traz
e zás
dissipa às gargalhadas.
(Gullar, Ferreira. Toda poesia reunida.Rio de Janeiro. José Olympo, 2004. 12ª ed. p. 370)
sábado, 23 de junho de 2012
Boa Pessoa
“A
banda mais bonita da cidade” faz parte do novo quadro musical, produzindo MPB. É de Curitiba, já tem gravado um CD e segue na estrada. Além da canção mais
conhecida da banda “Oração”, há outras e outras tão belas e singelas como esta: "Boa Pessoa".
Vale à pena procurar e escutar...
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Desígnios de Deus
Se deu conta de que havia morrido quando se deparou defronte da seguinte
inscrição: INFERNO...
NA porta, havia um senhor com jeito de quem havia bebido, além de um
diabinho de rosto avermelhado e dois chifres salientes em sua testa, um para
cada lado da face. Admirado ele exclamou intimamente: Meu Deus!”
- Isso é o inferno?
- sim.
Sem acreditar, continuou.
- Mas por que eu vim pra cá?
- E eu sei?
- Sempre fui bom homem. Não bebia, não fumava, não cheirava, não
desejava a mulher do próximo. Tive poucas amantes, na verdade, duas, isso
inclui a minha atual esposa, ou ex-esposa, sei lá. Me diga, por que estou aqui?
Eu, comparado com outros homens...era um santo!
Diabinho:
- Quem sabe dos desígnios Dele? Vai ver Ele não quer concorrência. Agora
entre!
Valdemir Guimarães
terça-feira, 12 de junho de 2012
Um Chá, literatura e o mestre Machado de Assis
Na escola Lúcia Bayma, antigo Supletivo, município Codó-MA, na noite do
dia 02 de junho, serviu-se o primeiro Chá Literário. O evento foi organizado
pelos professores do turno noturno da escola, tinha como coordenadora a Prof.
Meire, os docentes formados por Vera, Barroso e Aparecida, Regina, Arina,
Clovemilton, Lucilene, Lúcia (diretora ajunta noturno) e Erismar
(diretora) e mitzy (diretora adjunta diurno), colaboraram coesos em prol de uma
noite agradável.
O Homenageado nesse evento foi escritor Machado de Assis. Melhor escolha
para o primeiro Chá Literário na poderia ser, afinal mestre é mestre. E ele foi muito isso.
Destacou-se em vários gêneros literários: romance, conto, crônica, tetro,
crítica, além da poesia. Sua ironia fina e o seu pessimismo mordaz dissecam
toda sociedade brasileira revelando-nos em alma e palma. Como já dito, ele é o
mestre.
Além de professores de outros turnos, alunos, pais convidados, deu cor e
prumo ao evento, também, o escritor João Batista Machado. Felicitou a todos com
suas palavras simples, calmas e sempre memoriais. Alunos do vespertino(
Saratiel, Silvana e Kevison), sob a direção do Prof. Valdemir, celebraram
o evento, interpretando um texto de Rubem Braga (Entrevista), na qual Machado
de Assis concede uma entrevista depois de morto. A música, não há noite sem
musa, ficou com o Valdemir (professor da casa, do vespertino). Seu repertório
lembrou o compositor de Cachoeiro do Itapemirim, Sergio Sampaio. Alunos do EJAI
declamaram poemas de machado de Assis, encenaram peça, cantaram, fizeram o chá
mais quente.
Dizer que o evento foi apenas bom é ser muito simples e talvez diminuto.
Adjetivá-lo, apenas, é prendê-lo em palavras pequenas e ele foi grande,
muito além do esperado, excedeu as expectativas. Diante disso, não é
atrevimento pensar que outros e mais outros Chás virão, o que fica é o anseio
de não se demorar tanto.
Valdemir Guimarães
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