domingo, 24 de junho de 2012

Dia de Seu João



João Batista Machado é o escritor de “Histórias do fundo do baú” e o mais recente “Imaginário codoense”. É codoense, octogenário, um homem culto, fino e generoso. Faz ele mais um ano hoje, 24  de junho. Parabéns, vida longa, meu amigo, saúde e um afetuoso abraço.       

Detrás do Rosto

Acho que mais me imagino
do que sou
ou o que sou não cabe
no que consigo ser
            e apenas arde
detrás desta máscara morena
que já foi rosto de menino.


Conduzo
sob minha pele
uma fogueira de um metro e setenta de altura.


Não quero assustar ninguém.
Mas se todos se escondem no sorriso
            na palavra medida
devo dizer 
que o poeta gullar é uma criança
             que não consegue morrer
e que pode
a qualquer  momento
desintegrar-se em soluços.


Você vai rir se lhe disser
que estou cheio de flor e passarinho
que nada
do que amei na vida acabou;
            e mal consigo andar
            tanto isso pesa.
Pode você calcular quantas toneladas de luz
            comporta 
            um simples roçar de mãos?
            ou o doce penetrar
            na mulher amorosa?


Só disponho do meu corpo
para operar o milagre
            esse milagre
            que a vida traz
                e zás
                dissipa às gargalhadas.


(Gullar, Ferreira. Toda poesia reunida.Rio de Janeiro. José Olympo, 2004. 12ª ed. p. 370)


    

sábado, 23 de junho de 2012

Boa Pessoa





“A banda mais bonita da cidade” faz parte do novo quadro musical, produzindo MPB. É de Curitiba, já tem gravado um CD e segue na estrada. Além da canção mais conhecida da banda “Oração”, há outras e outras tão belas e singelas como esta: "Boa Pessoa". Vale à pena procurar e escutar...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Desígnios de Deus


Se deu conta de que havia morrido quando se deparou defronte da seguinte inscrição: INFERNO...
NA porta, havia um senhor com jeito de quem havia bebido, além de um diabinho de rosto avermelhado e dois chifres salientes em sua testa, um para cada lado da face. Admirado ele exclamou intimamente: Meu Deus!”
- Isso é o inferno?
- sim.
Sem acreditar, continuou.
- Mas por que eu vim pra cá?
- E eu sei?
- Sempre fui bom homem. Não bebia, não fumava, não cheirava, não desejava a mulher do próximo. Tive poucas amantes, na verdade, duas, isso inclui a minha atual esposa, ou ex-esposa, sei lá. Me diga, por que estou aqui? Eu, comparado com outros homens...era um santo!
Diabinho:
- Quem sabe dos desígnios Dele? Vai ver Ele não quer concorrência. Agora entre!  
                                           
                                                      Valdemir Guimarães


terça-feira, 12 de junho de 2012

Um Chá, literatura e o mestre Machado de Assis









Na escola Lúcia Bayma, antigo Supletivo, município Codó-MA, na noite do dia 02 de junho, serviu-se o primeiro Chá Literário. O evento foi organizado pelos professores do turno noturno da escola, tinha como coordenadora a Prof. Meire, os docentes formados por Vera, Barroso e Aparecida, Regina, Arina, Clovemilton, Lucilene, Lúcia (diretora ajunta noturno) e  Erismar (diretora) e mitzy (diretora adjunta diurno), colaboraram coesos em prol de uma noite agradável.
O Homenageado nesse evento foi escritor Machado de Assis. Melhor escolha para o primeiro Chá Literário na poderia ser, afinal mestre é mestre. E ele foi muito isso. Destacou-se em vários gêneros literários: romance, conto, crônica, tetro, crítica, além da poesia. Sua ironia fina e o seu pessimismo mordaz dissecam toda sociedade brasileira revelando-nos em alma e palma. Como já dito, ele é o mestre.
Além de professores de outros turnos, alunos, pais convidados, deu cor e prumo ao evento, também, o escritor João Batista Machado. Felicitou a todos com suas palavras simples, calmas e sempre memoriais. Alunos do vespertino( Saratiel, Silvana e Kevison), sob a direção do Prof. Valdemir,  celebraram o evento, interpretando um texto de Rubem Braga (Entrevista), na qual Machado de Assis concede uma entrevista depois de morto. A música, não há noite sem musa, ficou com o Valdemir (professor da casa, do vespertino). Seu repertório lembrou o compositor de Cachoeiro do Itapemirim, Sergio Sampaio. Alunos do EJAI declamaram poemas de machado de Assis, encenaram peça, cantaram, fizeram o chá mais quente.
Dizer que o evento foi apenas bom é ser muito simples e talvez diminuto.  Adjetivá-lo, apenas, é prendê-lo em palavras pequenas e ele foi grande, muito além do esperado, excedeu as expectativas.  Diante disso, não é atrevimento pensar que outros e mais outros Chás virão, o que fica é o anseio de não se demorar tanto.
                                                             Valdemir Guimarães