sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sanatório Geral

















Noite alta
alegria na avenida, às barbas do santo Benedito.
                                          Ah, Frei, será o fim? 
Eu acredito é na rapaziada, suada de chuva, bruma e brama.
Sanatório Geral, quem não vem, ou vai, não se cura
Não dura no mormaço dessa cidade sem doce, sem sal
                                                               nem carnaval.

                                            Valdemir Guimarães 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

TRÊS DA MADRUGADA
















Três da madrugada
Quase nada
A cidade abandonada
E essa rua que não tem mais fim

Três da madrugada
Tudo e nada
A cidade abandonada
E essa rua não tem mais nada de mim
Nada

Noite, alta madrugada
Essa cidade que me guarda
Que me mata de saudade
É sempre assim

Triste madrugada
Tudo e nada
A mão fria, a mão gelada
Toca bem de leve em mim

Saiba
Meu pobre coração não vale nada
Pelas três da madrugada
Toda a palavra calada
Dessa rua da cidade
Que não tem mais fim
Que não tem mais fim
Que não tem mais fim

                    ( Torquato Neto)



                                           

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A cidade e o seu escritor





Conheci antes o escritor, depois a pessoa. Raras são as pessoas em Codó-MA, envolvidas com educação ou leitura, que não conhecem ou não tenham ouvido falar do escritor João Batista Machado. O livro Codó, histórias do fundo do baú foi e é um marco cultural na história recente desse município. A cidade de Codó passou a conhecer-se, reconhecer-se nos vultos, nas autoridades, nos homens simples, em sua geografia, nos rios e riachos que a desenham, na sua religiosidade e etnia, após o escrito de João Batista Machado. Já dizia assim um poeta: “uma cidade não dita, não é uma cidade/ é um amontoado de gente sem nome, sem fome de conhecer a si”.
Toda cidade tem o seu escritor. Aquele a qual a afinidade entre o escrito e o seu reduto é tanta que o nome do autor chega a ser associado imediatamente ao da cidade. Quando se pensa em Itabira, cidade mineira, por exemplo, vem logo em mente Carlos Drummond de Andrade; São Paulo, Mário de Andrade; Goiás, Cora Coralina; Caxias-Ma, Gonçalves Dias; São Luís, Ferreira Gullar e Codó, pura encantaria, brilha, então, a figura de João Batista Machado.  Não é que não haja outros escritores nessas cidades aqui mencionadas, os há, creio que muitos, mas a cidade escolhe o seu, elege aquele que vem melhor lhe representar. E a escolha não é feita de maneira prática: melhor, pior, mais jovem ou mais velho. Não sei bem como ela processa isso, apenas o escolhe, o conclama com o “Seu”.
Pois bem, Codó assim o fez e assim teve e tem o seu escritor. Bom escritor, apegado a sua terra feito “caboco” na roça, amante do seu terreiro feito nego na dança, ligado a sua municipalidade feito europeu ao capital. Espero ver e ler escritos de mais outros autores tão bons e carismáticos como o que aqui me refiro.
E a nós, oferta-nos, agora, João Batista Machado, mais um livro, O Imaginário Codoense. Festejemos o momento, e o leiamos atentos, crentes de que o lendo, encontramo-nos cada vez mais com a nossa história, nosso povo e a nossa cidade escondida.
Valdemir Guimarães Sousa.
Profº. Graduado pela UFPI. Revisor de texto e contista.