terça-feira, 1 de janeiro de 2019


Por ora não bebo e nem bebi de tua taça
Minha saúde não permite.
E embora cronologicamente tua idade a impossibilite
Você não se deu esse limite, por isso dessa boca sinto o cheiro suave Do Quinta do Morgado.
Não é noite ainda e sóbrio vejo teu corpo
bailando em passos de dança leve, quase planando
entre o piso e o teto.
Saltos ao ar, cheiro de flor salpica
os quatro cantos da alcova.
Se não disse antes, vale acrescentar que
Danças nua, como a lua o é, seja noite ou dia
De igual modo, a verdade que se apresenta para quem
Coberto de razão a pronuncia.
Caso não me chames atenção,
Passaria eu nesse tempo que nos cobre mirando os ângulos de teu lastro
Percorrendo o volume que se sobressai abaixo a tua cintura
E que por ora minhas mãos sem ira seguram
e a boca busca sedenta na ânsia de tatuá-la como antes
como outro amante o faria com afago, dentes e língua
e que o mundo acabe à míngua.

Valdemir Guimarães