terça-feira, 17 de setembro de 2013














Gênesis


Uma mulher nua...
Foi essa a primeira obra que Deus fez
Delineou seios, ventre, pés, mãos e uma divina tez.
O trabalho em sua grande obra e a mais perfeita criação foi minucioso
Para isso, tinha Ele todo o tempo, por isso foi laborioso.

O homem, esse foi feito bem depois, quando não havia mais nada a fazer, a criar.
Suspirou fundo o Criador e num sopro, ou um espirro:
- Ei-lo o homem.
E disse meio que rindo aos outros feitos seus:
-E não zombem!

(Valdemir Guimarães)

domingo, 8 de setembro de 2013





















O que gritas por traz desse rosto de menina?
Que sonhos sonhas durante a noite e que não contas durante o dia?
O que penetra nessa tua fronte e se revela em ideia?
O que queres nesse circo sem plateia?

Quando mais menina possivelmente mirava a mocidade
Cólicas, menstruo, lápis para o rosto e um amor sem maldade
Suas amigas de infância, o amor fraternal de teus pais
Ainda a seguem? Há quanto tempo isso faz?

O que por hora vejo e publico é um flagrante de tua beleza:
A aspereza de tuas mãos, revelando o labor diário
o riso fácil de teus lábios que se abrem e iluminam a certeza
dos que ao teu lado estão ou aos que simples passam...mudos, sem razão

O que vem à frente, menina, é um enigma,
e nem você, eu ou ninguém pode precisar o dia seguinte: o próximo ato.
E aí está a graça da vida: é sempre inédito o imediato capítulo.

Olhando assim, passo a entender teu gesto simples, teu riso infinito:
aspergindo o dia com tua alegria, amanhece no teu jardim flores
colhe-as independente das estações, amar é multiplicar sensações.

                                                                                Valdemir Guimarães



quarta-feira, 4 de setembro de 2013












São olhos, mãos e bocas
E jeitos, risos e teimosias
Há também uma maneira, um tom de se zangar
E lágrimas que descem do rosto deixando um gosto
Nada bom.
E há sono, preguiça, bafo e laço no abraço
E um beijo diferente: não é mulher, nem homem
Inexiste o sexo
E é uma menina e um menino
E um ninho que me faço, refaço e traço o meu trilho
O que de mim seria se não os tivesse, filhos?



Valdemir Guimaraes